o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.
Mostrando postagens com marcador coragem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coragem. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de dezembro de 2016

poison

what if a poem sounded like the falling rain
and could bring the secret of the waters cicle

passagens e corredores longos pelos caminhos
um despejo que pinga pinga aquele som repetido
atravessando um monumento espatifado diante do mar
à meia luz diante do penhasco aberto no oceano.
dei um passo em direção ao centro
e agora sinto, durante a queda, os membros distendidos pela descida,
cores translúcidas atravessando um espaço líquido
e o tempo aos poucos deixando de existir.
durante a caminhada as mãos com a pele de cobra depelando pelos dedos
uma montanha de corais erguia a terra viva,
no centro da estrela no centro do peito
um gesto gravitacional numa dança ao contraste do sol no avesso,
movimentos já diluídos no acolhimento absoluto lá dentro.
eu sou a impossibilidade de cada percepção,
já de tudo um fragmento de tudo
memoriasinstantessonhos mas superintegrados, indissociáveis,
e as mãos incrédulas por sobre a boca
da matéria impossível do corpo improvável
no olho espiral entrando
neste portal às vistas na floresta de dentro.
um vislumbre da colisão entre nossas incontáveis partículas
um espelho na sala de espelhos do avesso no seu reflexo mostra o lado direito
do olho que vira do avesso cada sinal de luz.
uma oração e os raios já começam a lampejaar uma lavagem magnífica,
uma vela um canto
e a preparação para virar numa porta de galhos apontada para baixo
para o ventre do mundo de dentro.
uma voz melódica pela descida anunciava
a completa inundação
e as pedras brilhavam no altar que uma loba cheirava com tranquilidade.
It requires small steps
For each movement is a risk
All the parts of ones body outta
Be recognized, because the ocean is all over.

Walking is an impossible task
Without magic resilience awknowledge
Covered up by the stones of the river
The only way down to infinity
The blessed pagan experience
Down the river of under
Home of creations resources.

This body may be
On its course journey
The loving life beneath
Storms tears over the forest
For we are alive still
Corageous sun creatures
And our hands shall know
How to find each others opening point
A needle through all worlds
Multifractured by a tunderlight
Fallen twoards us
Right where we seat at.

So little, so inmense
Some more gathered molecules
The impossible structures of
Destiny
I mean my feet can step on solid earth
Or decide to visit the moons inside mistery.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

este sentido doado à matéria afetiva esticando-se por estar vivio
já foi devorado pelos rodopios do tempo, as tantas deformações inexatas
dessa entrega à mitose dos magnetismos.

não há como proteger o dia do dia, todas essas notas fictícias transgredindo
o interior dos abismos esquecidos. aos olhos de dentro não se pode velar
a fatalidade da experiência.

todos os escritores agora nas dimensões de outrora sussurram nas vozes dos
amigos corajosos e perdidos sobre as pedras do rio - nós escrevemos o nosso
medo da morte.

explorar o oceano é uma aventura infinita,
aqui se revela a realidade do invertebrado e a visão da terra encoberta pelos
bosques silenciosos.

as folhas estarão emendadas pelas teias das aranhas transparentes do esquecimento;
está profetizada a minha resposta, mesmo que eu não possa contar a verdade,
a fênix dos sonhos nos reinos dágua.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Neblina nas borras da xícara

O café já estava esfriando há 50 anos desde a juventude da ninfa de cabelos vermelhos. Um buraco no tempo sabotou os conectores e nada mais pode-se transformar. Ela quis abdicar de sua vidência e rogava à natureza para que emudecesse diante da orquestra de pássaros que surgia com a noite; mas todas as manhãs se levantava ciente de sua voz, comunicando os sinais da Lua ao Sol que lhe banhava de calor. Sua testa pulsava diante do Nada mesmo dos dias roubados. Fios brancos que pendiam da cabeça denunciavam a insistente vontade, uma fome voraz que restava no âmago da Terra. Diante da morte e do renascimento, a ninfa debulhava sua inevitável voz nas horas consumidas enquanto bordeava, entorpecida, os troncos das árvores. Cantava palavras que ainda não existiam para preencher o eco da floresta. O som enigmático da madeira estalando junto às folhas assopradas pelo solo respondia à voz da ninfa como um órgão vivo. Suas mãos transparentes iam segurando os cipós que pendiam do céu e desenhando símbolos do ar. Por toda a extensão da floresta abriam-se as portas celestes do tempo corrompido. Por cada entrada ressoava o ruído magnético de um organismo infinito, e a floresta se reproduzia num dominó de retratos espelhados. A voz da ninfa era maior que seu corpo; o abandonava para participar de seu Destino. Seu corpo diluía-se na respiração da floresta, que ligava as sombras e a luz entre os dias emendados.

Luz barroca

o que desespera os braços decididos a acolher caminhos tão errantes é a assustadora naturalidade do caos. o vasto abismo vislumbrado num portal à meia luz na janela abriu-se quando eu não pude entender somente a presença da claridade, mas também as sombras antigas que um desvio revelava. o reflexo de meus próprios cílios em nebulosas espelhadas mostrava o traço em entalhado na pupila. os corpos reconhecem uns aos outros quando se desidentificam de si mesmos e aceitam que invadam suas cavidades líquidas. a fragilidade de cada gesto sempre foi proporcional à sensação de uma imensa continuidade, um parentesco órfão, de suas partículas históricas soltas e enterradas. a tranquilidade de encarar qualquer metamorfose é uma decisão pelo enfrentamento que não se envergonha das paredes de madeira da casa. cada detalhe transversal do teto contribuía para embaraçar as coisas invisíveis próprias do mistério da matéria. o tudo é forte em seu esvaziamento constante nos passos entre tantas conexões e o meu rosto dormente reagir à poeira soprada dentro duma entrada. estávamos pertencidos naquele instante fito entre si mesmo e o seu limite.

a lentidão daquela noite já concedia às turvas formas lugar no espaço junto à sensação de infimidade. os lugares ocos de você estão abarrotados de caricaturas e símbolos flutuando. tudo é uma mentira e também é a única forma possível, tão aberta e tão inverossímil, palpável e estrangeira.

Relatos de um momento de experimentação

Quero encontrar maneiras de escrever narrativas EM ESPIRAL.
Existe um conto a respeito desta jornada que não pode ser escrito
Nem de trás pra frente
Nem e frente em diante, porque meu jardim de bétulas é um labirinto que começa já no centro de um interior flutuante, trata-se de uma coisa que está sempre localizada entre as medidas e que não pode ter nome,
Porque cada curva já compreende uma nova decisão perante o confuso e a refeitura necessária de um caminho renovado pela resiliência do tempo.

O presente é um mito de memórias projetadas pelos grãos de terra revoltos
que se mastigam e superpõem uma lenta espera.

Talvez se soubesse o peso de cada espaço entre a incisiva letra e a hesitação no falho não dito
surgiria uma vida invisível, escondida de suas próprias dúvidas.
Talvez o dia durasse qualquer continuidade possível entre nossosolhos.

Nesse dia transformarei dezesseis horas em páginas em branco
Salteadas das cores por baixo da pele desde a transparência da simultaneidade.

Trata-se do dilúvio-tinta dos pés em contraste com o chão
restituído do deslocamento inicial na tentativa de pisar os desníveis circulares
ou sl algo assim

Meu amor, vamos cruzar o oceano? O oceano é infinito
como o passado recuperado pelas estrelas e pelos nossos tecidos.

Se dentro dessas estrutura coubesse uma imensidão que retorna
eu contaria a história de uma mulher que não tem idade.

Agora sou como uma criança num jardim onde habita uma sociedade de
serrrrrres fantásticos
e afirmo que a poesia também pode ser o lar de uma história

que queira contar vozes fantasmas e inventar o que já existe.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O rio


marte, coração, pulso

Os milímetros percorridos em desenrolar-se de revoltas e retornos estendem-se até o eco de um canto, as depenagens solares, as peles que respiramos, e os gestos que percebemos à medida que existem, já os transformando. A distância daquele rio necessário faz-se junto à atenção focal do rosto e do centro cardíaco. A movida pelo incessante giro planetário exige que se esteja no rio à medida em que se é o rio - aquele que contém o fluxo como princípio. O descarrego de palavras desfaz-se ao contrário, já ato, já feito-fluxo, devir realizado. O momento em que se para de escrever é aquele em que torna-se única solução nunca parar, seguir infinitamente para que se possa dizê-lo. Simultânea é a estadia; você se hospeda no rio por toda a extensão quando está nele como parte, que compreende o mistério no desaparecimento das paredes, do espaço entre as pernas. Nossas moléculas já estão juntas, pois são o espelho e a imagem refletida, responsabilizando-se por aceitar as dimensões do gesto, a doação do nome transtornado pela infinitude contida no contínuo: a morada do coração, a recuperação dos detalhes. A dança circular dos grandes corpos fragmenta-se em partes singulares tocando-se: quando nos damos as mãos para que nossos dedos possam abraçar a proximidade. Percebo as atividades das águas também porque o rio me permite vivê-las. Eu sou o rio. 

segunda-feira, 16 de março de 2015

Quedate Luna

relatos do mar

Apesar dos ruídos vindos das bocas e olhos que dão à areia seus caminhos, a infinitude quebra na orla e dá mover-se aos pássaros planando no espelho. Pode-se ouvir o quebrar, as águas furiosas redobrando-se em nuvens. Era um momento só com o mar o contemplar o infinito e a força do submundo, mas me sentia sozinha como consequência das presenças desconhecidas e da observação entre o bambu e o carvalho.
Existe outro lado. Isso sei. Existe presença ausente? Existe mais gente, ou menos gente?
A cada novo tijolo sinto-me só, mas não contra o mar e o céu, que contornam a distância. É o tecer por entre ambos, onde tudo precisa ser real, estar relacionado ao bombear. O carvalho, ou o bambu? 
Quem mora no mar conversa com todas as árvores quando fica em silêncio. Quem encontra-se com o som debaixo da terra, vê o murmúrio que traz o marejar de todos os lugares. Das pessoas aqui, a linguagem só responde às águas, para dizer-lhes que aguarda todas as luas (uma para cada coisa). Na chegada das luas, o mistério se desfaz e o amor pode enfim ser doado. Acontece, porém, o dia, quente e iluminado, quando surge o entendimento da aparição inevitável, que mora no espaço e reluz. Neste momento é que a lua se faz desejada e o chamado é lançado. A clarividência transforma-se em ponto magnético, o outro lado, que está lá na afirmação do mar, profundo, secreto, impetuoso.
Encontrei as criaturas da água durante a noite; apaixonei-me pelo outro lado. Deste lugar vem tudo, e com tudo é que localizo a extensão alcançada por minhas veias, fazendo correr o fim do sol, o início da espera, a capacidade de te espreitar no reflexo do além, e a vontade de nadar até lá para aprender com a imensidão.

A fluidez do retorno acontece quando a noite cede, e as estrelas dão lugar aos contornos abstratos dos montes no horizonte. Ocupam diferentes estares os níveis sutis das montanhas, que se dissolvem quando adentram às nuvens. Aqui existe um tempo que ainda não é dia, mas já abandonou a clarividência da noite: é uma pausa que não tem nome, para que dialoguem os sábios dos céus em sua linguagem sublime. Para dentro e para cima (desde debaixo para fora), o imenso, a explosão gloriosa do espaço - onde, ali, você também existe. Aí reside uma verdade, as cores estão aí também; as palavras têm poder para curar. 
O limite é o mar. Existe o outro lado, o sol virou, a lua já é outra novamente. O círculo flamejante que desvia a retidão do olhar enfim surge, como única palavra que é repetida e anuncia, por detrás da pedra, no fim do mar. Existe vida do outro lado.

Era como se o vento entrasse na casa com a força do mar bravio que me despertou essa manhã. A troca inevitável de instantes surpreende ainda quando olho a inundação translúcida. 

(Esta série de reflexos do mar contrasta rapidamente com o calor nas peles coloridas transitando pelos cantos. Passam os olhos pelos sons transformados ao longo da noite. Passa a gente e para no dia para olhar. Começa a vivificar a onda desde o centro do movimento. O estômago do mundo; daí vem a força).

Em alguma parte enterrada faz morada o medo de aceitar este momento, sua beleza insondável e a passagem da realidade. A gente que para pra ver, encontra. E leva pra casa, deixa a onda vir, inunda tudo, nota as expressões lançadas à sincera manifestação das mãos que criam por fora o caminho mesclado de dentro. Surpreender com o pungente som parece claro, direto. Estou surpreendendo junto às sutilezas, sabendo que tudo participa do mesmo lugar, e estes caminhos se completam. 

Fazer do mar casa é um movimento perigoso. Não há mais do que descaminhos nessa força que desemboca. O mar é casa em suas profundezas, quando não mais pesa a presença do abandono, só existe amplitude no âmago do mundo.

O bendizer do
Horizonte, encontro
das forças calmas,

Desagua perto
sobre os pés
Para anunciar

Que arrastará os corpos
para o fundo, onde
reside o rio

Sob a terra, a alma
do mundo, o buraco,
indundado;

Este lugar esconde
o amor, a desolação
e a entrega absoluta
ao movimento do tempo.

A maior extensão medida pelos sentidos, a fúria dos últimos três dias, filtrada pelo coração, traz ao dizer impossível, o inconcebível futuro. Passam todos os planos e meus esforços estão prontos para escapar aos pulmões em forma de grito mudo na direção de todo o vazio.
Eis a mensagem para a garrafinha lançada.

O coração e o mar fazem movimentos correlatos:
para dentro, uma profundeza inestimável.
para fora, uma força que ninguém alcança enquanto sabedoria.
Só vem o suspiro abstrato.
Trata-se de uma unidade imperiosa que acolhe e atrai tudo que ainda não participa nesta fúria.
Só os contém quem ama abertamente.
Só os que enfrentam as questões da alma.

O despertar tranquilo respirando todas as células acontece desde a água e aí desemboca quando o coração fica suspirando. As memórias ficam então abertas à construção para afirmar que existimos todos juntos. Cada onda que volta, já vem de outro lugar, transformada pela inteireza do porvir.
Ficam pegadas no úmido do chão. E outra vez existe o perigo no desejoso espírito.

O antigo com o novo num retrato que ainda não se pode ver. Está no filme enrolado dentro dos olhos, compreendendo os relatos do mar à toda profundidade. Agora só se pode dizer do movimento das estrelas e que, na falta de morada, há o mar para hospedar os movimentos que rebentam sem que os esperemos. Há a mãe da alma para cuidar da paciência necessária ao encarar a impressionante existência. Este aprendizado, de compreender a casa em movimento, abre um espaço no centro do corpo para que circule o ar. Demanda troca incessante, respirar com o meio desimpedido, aceitar a despedida. Compreender o retorno serve para cumprir um destino do coração. Não há como impedir o contínuo bater e o desaguar. É necessário receber o que vem do profundo mar. I dont have a choice, bu I still choose you.

Eu escolho recebê-lo feliz e grata, ciente da força arrebatadora, ciente da transformação irrevogável. Não existe reviver, só traço, seus desenhos do rosto que não formam imagem são feito sonhos, dando sinais ilegíveis, tornando realidade um caminho ao revés.

Alto, alto, alto estou só, sentindo esta linha invisível de extensão infinita. Não importa aonde estivermos pisando. Estou  no ar e te sinto presença  real, porque a lua fica, e o mar é a única realidade inquestionável.

A lua revoga a claridade para abrir o despenhadeiro da terra e o encontro com a sombra vislumbrada. A penumbra nebulosa convida para dentro o desenrolar deste destino.



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Landscapes

Possibly, maybe
Love is all around
Bjork


Ao foco sentenciado
Pelas retinas em chamas
Escapa o espaço ao chão que ocupa.

(Suas imensas pernas esticadas
em direção à travessia
trafegando entre o rolar dos minérios
e o contrário das árvores).

À espera do mistério concebido
No útero daquele letreiro luminoso
Que dizia todo o resto,

Anunciou-se o encontro do
Tempo com o desembocar
No porto dos sinais:

Ali estavam todas as mensagens
Enviadas ao horizonte
Enquanto encarávamos nossa existência simultânea.

Ela era coroada, pois se
Sabia de seu destino a ser arruinado
Quando fosse impossível respirar.

A minha lucidez era tangível
Dentro da espiral em seu sopro,
Que nada parecia à imitação das outras coisas.

Todas as respostas estavam
No mar, onde moravam
Minhas penugens soltas.

Cavei uma terra fértil
Para enche-la com suas
Continuidades fora dela.

A seguir, as mãos suficientes
Para erguer um reino,
Abaixei os olhos para agradecer,

E tudo permanecia agressivo,
Vindo desde os outros
Lugares do sutil escapismo.

Eis que aparece aberto
O canal no centro do
Além -

E entrego o amor, inclusive,
Que existe deste âmago
Tanto quando o sangue existe para corar.



sábado, 20 de dezembro de 2014

dilúvio

(Durante os longos tempos que tomou a reverência à lua em minha curta vida, senti desde o sangue magmático que latejava em meus órgãos a expulsão do que necessita ser presentificado. Estávamos reunidas em círculo para bendizer o dom da vida, homenageando-o com nossas vozes e mãos. Atrás da casa havia o desembocar de águas caindo à meia noite de sagitário. Apontamos nossas flechas enfeitadas com fitas brancas para a correnteza, que desmantelava nossos segredos persistindo no fluir. Todos os sonhos com a chuva desceram à terra úmida que puxava os pés para o fundo da derrocada, ao encontro dos musgos mergulhados na quietude do submundo. Cantamos de olhos voltados para dentro, amanhecendo as novas células do próximo instante, conjurando suas partes com a sabedoria do bombear, as veias abertas a todos os segundos explosivos que arrebentam-se no bater, e a certeza então vindoura, e sempre, de respirações conjuntas.)

A fumaça, não sei sabia se emanava da caneta que eu segurava, da respiração dos gatos, do sonar preenchido que ocupava o ambiente. Dentro de casa habitam os bichos, isso se sabe. É assombrosa a vontade que move os pés até acontecer o desenrolar da relva sobre a terra, e tudo ser novo. Aguardávamos com atenção ao dilúvio, reunidos, esperando que viesse nos encobrir para que subíssemos, nadando com os nossos membros e buracos do corpo. 


Agora aqui põem-se satisfeitas
As anciãs que ataram os cadeados
Do silêncio entranhado em registros
Invisíveis do dizer.

A inteira camada segue costurando-se
Nesta entrega ao Destino de
Minhas mãos movidas a 
Sussurros antigos.

De dentro da caverna reverbera
O rugido afora ricocheteia
A participação avulsa e real
Percorrendo estas cantigas.

E só assim, nesta prontidão
Fantasmática do instante
Que ocorre o impossível
Reproduzir dos sinais.

Nesta conjectura espiralada
Ao meu desejar ao bem-vir
Do dilúvio, reencubro-me
Viva, viva. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

trajeto 1

Pelo princípio do desvelar contínuo ao território, permaneço escrevendo cartas desde o dilúvio, expandindo à continuidade a morada de nosso contato, pelos átomos que se abraçam, até o dia em que se azulear a borda do horizonte. Compadeci ao lembrar-me que, deste anterior, já contemplavam nereides da descoberta, e já revolvia a terra desde o amálgama do âmbar. Surgiram faíscas no formato do céu por entre a chuva refletida nas lagoas de cristais, no meio de uma árvore atravessada, e revelou-se a flor do apaixonado, dissolvida por tons azularroxeados em verde sagrado. O corpo resplandeceu para sua manifestação e quis colher das pedras seus fungos, um por um, enquanto eu concebia a paciência exercitada em nossas distâncias e crenças por sobre a realidade processual do movimento. Permaneço escrevendo para que permaneças espiral, e re-gire a participação nos trajetos do vento, nesses dias tomados pelo humor das folhas, por entre nós e tantas noites afirmando a vinda do sol. Na coragem do mergulho, sendo por dentro à água da porta aberta, esses raios trouxeram a graça do respirar em constante decisão ao convite de escrever-te. A travessia para o próximo momento veio com a cura do choque térmico, e registrei minha presença inteira em meio à confusão expansiva do espaço. Cantou conosco uma arara colorida de atmosfera, no topo do ar - um sonido pungente do céu à primeira comunicação para que descessem os raios do leque da mãe, iluminando o que se pode ver. Com o rugido anunciado pela torrente-que-cai, ao nosso vento liberto, corremos ao encontro de abrigo enquanto choram os que necessitam e circulam os lençóis que nos alimentam. Segui passo pelos lares que surgiram, certificando-me de cuidar da liberdade desenvolvida em nossa linguagem, que nunca soube dizer o que éramos. Quando o sol ressurgiu, segui e, agora, com esse presságio, escrevo isenta de necessidades, mas no poder de meus quereres, movendo-me demoradamente até você, só para, no meio do caminho, percorrer a todo o universo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

flores

Hay desajustado espacio en mi corazón,
aumenta y diminuye con
el espacio del tiempo
si me quedo lejos de mi casa,
ese cuerpo solemne que a todas las cosas quiere contestar,
como al sol que se muestra para hacer claro
todo el camino desde que llegue a este suelo rico y capaz.

Estoy escapando de las palabras desconocidas
asi que me siguen todos los dias
y los trazos de rostros
en mis sueños más reales que todas las memorias combinadas a las ganas en las vísceras
de ver esta gente esta ciudad llena de amor
y estranhamento, porque no conozco las
palabras que ahora diseño
y aventurome por un territorio con aspecto de abrazos y palabras deformes.

La mixtura de colores por las arboles en la primavera son
el alimento de una descubierta
del vacio y del lleno
cuando me recuerdo que la realidad es mi vida
y que los encuentros se pasan para que no me olvides
donde estube
en los descaminos ensiñando
la fragilidad de mi casa aqui y ahora.

(quis proteger minhas memórias quando tranquilizei-me nas possibilidades das novas terras serem anêmicas e vazias. era improvável que às afecções não fechasse a garganta para uma ruga na testa e choro sem lágrimas. lugares por onde nunca se pisou são solos inesperados, embora de loucura antevista, com o presságio daquilo que vem desconhecido, e se supõe desmerecido, não iniciado. todo caminho que se pisa é solitário, só há certeza no solo revolto, que evolui a novos buracos, cada vez, atingindo uma instância de movimento, desde a vida, os fluxos por dentro, líquidos corporais e lençóis de terra, abundância de descontrole, parto amanhecido, desdobramento para outro tempo).

Me quede muy apasionada con mi partida. No puedo mirar mis ridiculas palabras en castellano, pero me importa mirar a las calles y ver como todo me recuerda el tiempo, mi casa sobre los pies, y que ya extraño a esa rara lengua, la riqueza de sus personas, los edificios y marcas en sus ruínas, como me siento tan vieja volviendo al caos de esa existencia unica, que por mil motivos nos muestra encuentros, muchas gracias, y, por supuesto, tanto tanto amor. Hay mucha felicidad donde esta su corazón. No te olvides las luces, las calles, las plazas, el viento, los nombres que tienen las cosas, como llaman los espacios, el color del sol, aquellos ojos, todo que probastes, las sequencias, el cariño, los nuevos amigos, los pajaros que cantan siempre, cada esquina, los confrontos, el extraño, su suerte, los libros, el suelo y el olor. No te olvides de tu soledad cuando recordar todo lo que tocastes, pero también no te olvides del movimiento inevitable, en su cuerpo, en todo afuera, porque ahora tienes más trazos, más historia y más coraje.


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

about the exercise to find conciousness

às possibilidades (ao impossível)
fazem-se infindos movimentos
escolhidos pelo tempo
no espaço dilatante
de conjuntura singular.
neste traço,
acontecido devastador,
o segredo provém continuidade
à matéria.


As paredes erguidas afastavam o fora do dentro para que o ar instalado, desprovido de por-do-sol, sufocasse o desdito, na expressão transfigurada, ao homem que trancou as portas e proibiu que o cheiro das calçadas atrapalhasse sua transformação. Quando deixou claro que não havia portas, com os dentes arrebatados ao olhar, as pernas, decididas a respirar, percorreram todos os pedaços de chão entrecortados paredes sucumbindo ao teto esmagador. O descaminho inevitável jazia aos pés, excessivos pelos passos, e às mãos que esmurravam o concreto entre uma circunstância e outra, os cabelos desfaziam-se pelos escombros do coração, enjaulado, a cabeça de um lado ao outro, a boca mastigando o abafado, umedecido pelo suor e pelo choro. A vã manifestação do sofrimento redobrou o pisar, que ia decidido a encarar seus limites, o rosto impávido daquele homem por sobre lonas pretas, e exigir a verdade deste delírio, incumbir sua presença de poder, para fora, onde esperava antiga ferida, o buraco, ainda por cuidar, àquela mulher cujo útero era palco da vida, para que ao perdão houvesse continuidade. 
À noite, quando já doía o peito renegado, por sob soturna luz que atravessava a parede, chegou um contorno familiar de sombra palpável, bioluminescente pelo centro, de onde um círculo verde esmeraldava fios de luz permissiva. O traço moveu-se em direção aos pés então repousados, pelo machucar de suas correntes, para que o seguissem pelos corredores. Desde o silêncio instaurado, caminharam, acompanhando a matéria negra à frente, quase integrada à escuridão ruidosa do isolamento. À finura com a qual surgia a realidade, naquele ponto verdejante, deu-se a ver uma abertura para um cômodo com janelas. Lá estava um contorno maior, preenchido por carnes do vácuo, onde brotam as estrelas do passado imemorial. 
Quando saíram do labirinto, de imediato requereu-se respiração forte para suportar o que estava embaixo da janela. A inconsolável imensidão de águas próprias ao mar ou rios infinitos, revolvendo sob os pés, aos gritos daqueles dentro de casa. O redemunho convidava ao meio e ao fundo, prometendo ser morada daqueles rostos na lembrança, um sempre muito jovem, outro envelhecendo, entre as gargalhadas e as bolsas debaixo dos olhos. Sorvendo, escancaradas, as águas pertenceram-se fluindo, e assim o tempo findou para o seu reverso. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Navio

Duzentos dias no barco. Nesses tempos, arrastei minha âncora pelo alto-mar que perdurava em todas as direções e desconfigurava os limites quando o sol movia cada milímetro na expectativa de chegar ao outro lado, por detrás à imensa aguidão, adormecendo o calor e despertando as criaturas vicejantes do imaginário, os monstros cujos olhos estupram o medo. As bravias águas continuaram existindo amplo, para destruir os vestígios do tempo, espaçando-o entre afogamentos e respostas a cartas que não eram para mim. Abandonei a terra sobre o lugar anterior para subverter este território que não cabe o meu corpo. Passaram-se todos os dias necessários entre a tempestade e o silêncio do que renega a coragem, dada à imensidão inconsolável frente à pequenez dos membros e das mentiras. A água esmagadora repetia a constância do infinito e minha invisibilidade, de corpo livre. Fui visitada por anjos espelhados no céu, que colidia com o horizonte para liquefazer-me parte indispensável, nos dias em que pude pacificamente derreter os sonhos da noite em balouçante consciência. Ao navegante que sobrevive, porém, há inevitável aparição das desconhecidas terras, que arrancam a esta inundação. O naufrágio não durou mais que duzentos dias, desde que saí sozinha e queimei aquilo que ficou. Avistando, ao longe, respirares descompassados, doses cavalares de palavra, cores além-azul e chuva, percebo-me deixando o deserto à medida que se aproximam, agitando as mãos antes do fôlego, despedindo-me do mar todo por dentro para penetrar novamente o subterrâneo, quando meus pés o tocarem. O horror do último suspiro para que o ar divida-se em milhares de respirações assombra-me, que me encaro neste limiar reflexo do infinito, há duzentos dias, para lembrar-me novamente. A abundância da terra envolve seus desperdícios, e a pouca atenção não vale para quem deseja se perder. O instante inteiro é o mar, e a terra é feita de caminhos. Lá, precisarei escrever de novo a outros ninguéns e suportar o peso do desdizer. É de destino pisar no chão e estranhar o pé que afunda devagar. Adeus casa flutuante, estômago do mundo, a terra que chega está me pedindo para descer à superfície. Assim que a chuva cair, no primeiro dia, profetiza-se que o barco colidirá com o concreto, à falsa segurança, para que eu encoste o rosto ao chão, de novo, e ouça, nos passos e mudanças, o coração que bate desde o centro do peito, o magma por debaixo do solo, as palavras em gestação, por dizer, vulcanizadas de um jeito ou de outro, para compreender, naquele ato, a importância do que vou encontrar. 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

[não posso dizer como é doloroso mudar a toda eterna morte, confiada ao espaço entre as palavras, nada disso é tão real quanto o suspiro-desespero que agora vem me situar em vazio preenchido simultaneamente, e não sei porque choro, porque vazo por todos os buracos quando sinto tanta dor no incessante esgotamento destas já escritas, para ninguém, vê-se que meu corpo tem várias entradas e saídas].

estou sempre tentando dizer
do que não posso
porque preciso fazer algo
com minhas mãos
para que essa sensação não
me arrebate
ao fundo deste oceano
que toca as nenhumas partes em seus intervalos
onde tem permissão para
não existir essa cortina de memórias
que aproxima o há tanto perdido

escapa o instante da descoberta
que nunca envelhece, mas sempre muda
silenciosa expansão

quando aparece em longo respirar
o corpo esquenta desde dentro
a uma cortante memória
que não mais importa como toque
e deve ser abandonada ao
seu renascimento
neste passo sempre apagado por
sua própria natureza
ao ir embora
como parece ser destino de tudo
que é capaz de amar

não há como parar a dor
mas há como aproveitá-la

hoje, não há carta alguma endereçada
a um novo ninguém que
sequestre a possibilidade da divisão
para um lugar menos solitário
que a beirada da floresta
onde a seus pés só é possível
pertencer ao solo
e o resto desta confusa e desistente
corajosa existência
saudosa do futuro
e, no meio termo, entre
caminhos, entre corações
entre tempos, na infinitude
deste rosto molhado, por
lágrimas velhas, traços finais
do momento para sempre doloroso.

a constatação do real, em
contemplação, que existe
sem justificativas, para
me permitir sentir seu horror

não há como dizer do vazio
nesta passagem, espiral
de algum lugar para outro,
nenhum lugar nesta bolha
o navio em alto mar
alto castelo distante
para urgir esta
brevidade
do contorno ao mutante
às luzes espalhadas pelo céu
infinito e ininterrupto.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Destinatário: ausência

[cartas fracassadas, dezessete de junho] 


Só há começo possível, para então atingir este vazio trôpego, naquele instante há tanto vivido, sem que percebesse, onde escrevia sobre seus olhos de árvore esburacados como quem ama ao respirar. Enquanto soam sinos, barcos e trombetas, transpasso objeto momento definitivo, posto que à mudança iminente ininterrupta ruptura. À sombra desta fina insegurança, face corada por saber, aberta por criar, em fertilidade, a passagem do dia, deu-se sua urgência, que também é minha, pela superposição dos encontros, o tempo errado, para destruir sempre, na força desta terra movente, o fundo do ímpeto, a nossa união. Colapsando em abismo certeza, mas de cada respiração, virou-se em fugitivo teu nome, escapou-me para a chocante colisão entre o vidro real e este espelho, na decisão pelo indeciso, por assim dizer, desdito. E a sua loucura me protegia desta espada, a minha, empunhada contra os redemunhos do mar. Eu, por minha vez, desejava que ao redor eles parassem de quebrar tudo. Já não podia mais suportar a perigosa vontade destas palavras que tornavam em grito canto silencioso do apaixonado. E havia o arfar sobre toda a existência daquele lugar. À abertura última debatia-se repulsando meu exposto interior, para valorizar, em absurda fractal, palavra.
Perdão, pois culpo-me por insistir nestas figuras sígnicas, como se fossem já uma raiz secreta para a distância, que temem ao diferente, pela exigente compreensão. O que aconteceu foi que eles precisavam saber, pois eu já não mais aguentava a solitária cadeira do café e do cigarro, esperando o destino que viria com a vontade daquele que vem. Este foi o frio quarto em que você apareceu. Olhar selvagem vindo do bosque sobre a pedra, suas quatro patas cruzaram por debaixo na cachoeira, para chegar até mim, encolhida à beira, sobre a terra, em estado de atenção. No entanto, foi desta dor ancestral que me surgiu o substituído, vazio de afirmações, para nunca ser hospedado. Eu o amava por recepção incomensurável, mas ali não havia como falar alguma palavra. Assim, desejei desaparecer, como se os sons lá fora não fossem diferentes dos que ouço dentro de casa, no que os percebo iguais, dividindo. Ele se recusava a despertencer-se, ao passo que os sinais por todas as partes urgiam cautela sobre as patas compartilhadas. 
E o meu espaço foi para contemplar o horrível estilhaço, como surpresa antecipada aos seus toques sem amor, escassos da sua inteireza. Observo o lento estilhaço dos braços indômitos, todas as redes aos corações. A boca entreaberta, os olhos enrugados para dentro em choroso reconhecimento. Paro, finalmente, para vislumbrar a catástrofe. 
Ao centro do seio, então, germina a mulher-sob-a-lua, transfigurada, em aceitação ao caos, por sabedoria, desde a continuidade daquilo que se dá à morte. O horrorizado rosto sublimando toda a dor, presente na voz suave que demonstra o instante final, para que se adentre à floresta, desde a coragem nas maçãs e o sangue corrente para o princípio cósmico, o Chaos de toda beleza, pelo que vale, em gratidão. Assim, me vejo perante estas carcaças com ainda a infinitude por te escrever.

Sua,


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Ressaca

Descobri Beirut antes de Capitu. Desvendei aquela onda, pedaço deslocado do mar, em que guardava-se choro antigo, desde o nascimento. Antes, quando ainda era menina atraída pela espionagem. Os buracos nos corpos das pessoas, as rugas dos bichos e a improvável combinação entre os sons das músicas que eu ouvia em casa. Foi nesta constelação que tudo gerou-se. No espaço dedicado aos sentidos que percebiam, e rápidas respostas ao outro que prostrava-se. A esta marca de cicatriz, que aqui aponto ao meio do tronco, observo desde a distância, no inversos dos inícios concretos, pelo filtro das águas, em vislumbre ao incessante esvaziamento. A este abismo que aqui aponto. Sua entrada, trespassável ao outro lado, não coletava ou discriminava, e o que eu via eram conhecidas formas à luz infinita. Descaminhei desde o momento em que houve caminho. Eu acreditava mais em meus pés e nos raios solares quando conversava com o vento. Isso que não mencionei era-me inseguro desde o mistério que restou, das furiosas possibilidades, nos olhos onduleantes. Assim, escolhi instrumentos, confiei na extensão do espaço, e parti. A todas as delicadezas porvir, fui provando-as constituintes do efêmero, que nos aponta à iminente morte, na importância do instante sem-fundo. Descobri a respiração cutânea quando quis-me pôr à prova, abdicando de sentido encubado, daqueles que a gente faz crescer à força. Todos os dias passei a dizer-me, enquanto encarava o silêncio deste rosto único, fragmento possível de toda carne, que esta memória servia para alcançar o outro lado do espelho, ao observar-se, sonolenta, o sangue entre os limites. Alguns dias, no entanto, forcei-me à mudez, que me tomava por outros dias mais, encarcerada, culpada às palavras, injustamente. Transfigurava a verdade toda vez que sempre frente ao escrito. Assim, o impreterível enlutamento pelo mundo, morrente – foi o que me disseram, e era o que eu via no refletido – chegava, todas as manhãs, quando, ao envelhecimento, via-me condenada aos suspiros do tempo e às distâncias refletoras.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

round and round and round

[right now it flows into mind something related to that girl with really big beautiful red hair and that handsome man who once touched my guitar, and i was playing like i meant it, the sounds and words just sliping out overcoming language because right now i feel like my fingers and this ink over white paper are creating something out of thin air just expanding all of us that were already existing together because this love can never leave us, it's inside of us. and growing.]

sexta-feira, 11 de abril de 2014

nossa existência

[escritos destroçados com o tempo, abril de 2014]


quando a pele esfria por baixo dos caminhos ensolarados, necessita-se pausas dentre ruas, uma esquina que te encontra frente ao desespero enérgico gerado pelos sons dos raios, luzes mal acostumadas, pobres de gente, abandonadas desde a infância. os olhos semicerrados erguidos para o teto de toda fraqueza embebida, filtrando cores em branco-caído, poros desempedidos, boca sentido gosto de peças desencaixadas e a sinceridade emergindo nos rostos aos poucos avermelhando-se. o instante de carinho doado por existir este corpo de gente em traço no dia em que se escolhe o afeto, a luz transfigurada, mãos dadas com o vento.


[francis, há muito vejo o vento e é inteiro, todo entre-dedos, entre sorrisos e cada singelo ser no momento do sorrir me toca em cheio antes de dormir. e penso em ti, azul, vermelho sangue, amarelo olhar em corpo fundido invisível no querer sempre resposta e peso de dor. estou aqui. estou aqui vendo tanta lua por entre esses cabelos desalinhados, por passos desejosos de caminhos tantos e descaminhos mais que nos cruzam e não nos repartem, porque nossos fragmentos já se são. esse carinho nascido desde a vida nos constrói células braços e pernas socorrendo-se. meu coração dói e agradece.]

tanto descaminho desconstrói nosso abandono
nossa liberdade pertence a estas mãos


devo libertar esta figura de minha lembrança para permitir fluidez ao transformar ininterrupto. devo aceitar cada passagem de tempo aos longos dias fatídicos e permitir-me o esquecimento às tuas distantes palavras transparentes, felizes, silenciosas. devo dissolver o rosto nesta imagem concreta aqui há dois palmos gritando e negligenciando tua viva sensação.


e quando percebo tua iminente partida todo suspiro já é, memória; a loucura desta meia-vida sonhada, por jovem toque, fino aos dedos docemente empenhados a encontrar-te, semi-luz, horas poucas, instantes amedrontados. já passou por mim o distante rosto de voz e caminhar a passos pés livres e em verdade. deixou-me tranquilamente, confortável por esvaziar a presença, transformar escorre-tempo pela abertura deste rio que me atravessava. sentirei saudade quando lembrar-me que, ali, podia deitar a cabeça naquele peito desconhecido, para então recuperar o espírito viajante, víscera que não cessa de sufocar; ainda assim, não o fazia, tinha medo do meu corpo movendo-se para fora, receio de assustar arrepio, por afeto, querendo estar perto, mas longe ao momento da despedida, terminada nesta mesma pequena carta que você me entregava às pressas, não querendo-me olhar o rosto infeliz, tremendo de acontecimento, sem fé, para nunca mais observar carinhosamente tua consistência. assim o resto aparecia nesta parte fria, oca, mesmo quando gritava com os outros membros, e mesmo com tuas cautelosas manifestações de bem-querer. life goes on for all the daytrippers. 

then, seatted with your eyes hurting, you hear this ancient song, coming through your left ear and pulling down the feeling of walking alone and loving the lost. when a scream rises, you hear a new instrument and a familiar voice. and that keeps on coming 'till you have no choice but to fell in love with the moment and pretend you can't see the hearts of ghosts. 

espero verte pronto,




segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Beyond your scared bed
I decided to emerge from ink
Through a soft beginning
And old feet.

The clouds remained the same
As movements of steel
But something was change
Inside, creation and drops of tear

Fear - I feel
Your yellow eyes and heavy breath
And honor, by facing
A passage and a pain: Death

Alive and awake
Blood on my cheeks
I chase your heart
Truly, under-ocean
I believe.