o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Landscapes

Possibly, maybe
Love is all around
Bjork


Ao foco sentenciado
Pelas retinas em chamas
Escapa o espaço ao chão que ocupa.

(Suas imensas pernas esticadas
em direção à travessia
trafegando entre o rolar dos minérios
e o contrário das árvores).

À espera do mistério concebido
No útero daquele letreiro luminoso
Que dizia todo o resto,

Anunciou-se o encontro do
Tempo com o desembocar
No porto dos sinais:

Ali estavam todas as mensagens
Enviadas ao horizonte
Enquanto encarávamos nossa existência simultânea.

Ela era coroada, pois se
Sabia de seu destino a ser arruinado
Quando fosse impossível respirar.

A minha lucidez era tangível
Dentro da espiral em seu sopro,
Que nada parecia à imitação das outras coisas.

Todas as respostas estavam
No mar, onde moravam
Minhas penugens soltas.

Cavei uma terra fértil
Para enche-la com suas
Continuidades fora dela.

A seguir, as mãos suficientes
Para erguer um reino,
Abaixei os olhos para agradecer,

E tudo permanecia agressivo,
Vindo desde os outros
Lugares do sutil escapismo.

Eis que aparece aberto
O canal no centro do
Além -

E entrego o amor, inclusive,
Que existe deste âmago
Tanto quando o sangue existe para corar.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Beyond your scared bed
I decided to emerge from ink
Through a soft beginning
And old feet.

The clouds remained the same
As movements of steel
But something was change
Inside, creation and drops of tear

Fear - I feel
Your yellow eyes and heavy breath
And honor, by facing
A passage and a pain: Death

Alive and awake
Blood on my cheeks
I chase your heart
Truly, under-ocean
I believe.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

desmentindo a despedida

o processo lento de suas frígidas veias espantam aos olhos atentos. quis movimentar para dentro-fora essa sorte do encontro, escape do êxtase, possível transformação de potencial em coisa feita, fazendo-se, construção de casa. cada palavra caminha para a certeza do fracasso, mas confia no caminho, e sabe porquê pisa. sabe de sabedoria esquecida, sem sentido, longe de conhecer, distante de descrever, fazer tratado, apontar o dedo, discutir o útil . a palavra sabe um olhar vago, reconhecer corpo magro, aceitar fragilidade, abraçar peito entorpecido, é a acolhida do sol quando escolhe subir ao mundo, este mesmo cheio de pernas bambas e tontura vã.
quando te disse que queria lhe escrever cartas, contar meus sonhos, participar de seu rosto, explorar o numinoso, lamber seu suor, compreender seu derretimento, e fazer de toque um corpo-troca, foi uma confissão. quis contar o valor da presença da respiração cautelosa que você lançava sobre mim, como um furacão impedido. gostei da sua confusão, e te falei das faces cheias de sangue, em coração, perpetuadas de coragem; das faces submersas, às vezes feias, mas que são lembrança antes de dormir. as faces que a gente sabe de cor, dos traços, as linhas de expressão, pedaços tortos, que nomeamos e fazemos ser, trazemos à vida, porque somos todos parideiros de chances.
não há estado de pureza, só existe contaminação da árvore no teu caminho, seu pé sujo de terra, os pelos dos gatos no nariz, os olhos mareados, atingidos, preenchidos de verdade, pulsando, sentindo organismo, víscera por entranha, entrega ao absurdo. quando você me disse que gostava da sua solidão, te achei tolo, assim como você acha ingênua a força doada por mim ao alcance do sombrio. o tempo está passando num giro espacial contínuo e repetido, e nossas energias agora nestes corpos tão nossos, tão eu-sou-eu-mesmo, disseminarão em terra ao completar do ciclo invisível. não é como se fôssemos todos os tijolos da parede, mas os caramujos por dentro dela é que nos são.
é com bastante tristeza que escolho compreender o movimento de amorosidade doada, que luta pela presença, que não dá às costas congeladas à indiferença da própria voz que diz. o carinho que você merece de mim é quando nos esbarramos aquele dia, com as mãos cheias de vontade, e escolhi encostar a palma no teu tronco. não porque eu sabia que você iria embora com tanta facilidade, mas porque queria te pedir para ficar, encarar a cara do grande cachorro preto que uiva e morde. se ficasse, perceberia que correr sempre para frente procurando um outro vazio que, no imediato, aparenta luminoso, faz deixar pra trás o detalhe sombreado que contorna a precisão do momento. e então a passagem torna-se borrão atravessado, passos trôpegos, gente bêbada entorpecida de exaustão, chorando questionamento no umbigo, desabrigada, envaidosa, agarrando-se desesperada à troca de peles.

aqui, certa oficialidade exige horas do meu dia para que eu seja oficial. eu, que me estimulo quando corro, dou risada de criança na rua, xingo quem me desrespeita, deixo ver cabelo azul e rosto nem sempre singelo, mas existência inteira. se aprender importância de existência inteira é coisa que não te faz cavar fundo tua terra, plantar uma palavra nova, torcer pra que cresça e chorar quando perceber que cresceu, vou embora tranquila, deixando a ti esse teu mundo tão certo, tão incrementado de experiências grandiosas, tão descoberto pelos auto-seiláoque nos quais tu gosta de se apoiar. um dia, quem sabe, minha lembrança encontre a sua, e você consiga, então, piscar os cílios, e abrir os olhos para o infinito que te espreita. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

the beginning

ancient animals sometimes scare those who can't pay enough attention to their steps. these animals are strong because they urge a wisdom that comes from the movements of the earth. they are pure instinct, senses, and act according to their deep eyes and expansive souls. they are not sweet and receptive, but hard to reach and even harder to face. although, once you are in front of them, you are captive, you realize their oppening, and you are confronted with a feeling of life and death's relevance. you will never be the same. everything will be destroyed, fluxes will turn upside down, and what you thought you understood will turn into chaos. you will be called to deal with your own fragilities. of course, you can take a chance and run away. be back on a ground that appears to be quiet and safe. but, once you decide to stay, moved by the incredible amount of life carried out by it's breaths, you feel calm, and suddenly able to comprehend silence. you feel humble, with a sudden disposition to learn, and recognize the independence of changes, along with your own capacities of choice. you start to see yourself as a moving body, that integrates nature within every single step, that is pure change, pure matter combined beautifully and not randomly into that person that you are. and, from that day on, meetings will no longer be in vain, because the amount of life you recognized on the wild animal as belonging, also, to yourself, you rage out from everywhere, from everything that exists, as movement, possibilities, chaos, changing matter, responsability of choice and universal knowledge. you will no longer waste meetings, you will feel a deep power to fight for them, just because they happened, and, specially, you will be forever brave as it turns to facing your own fears and not letting them be mistreated, as strangers, or locked up into a small box. 



so... are you gonna face and learn, or are you gonna run into an apathy abyss?

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Loba

Ela corre por vales adentro sem medo do escuro. Seus olhos veem fundo, mas é numa percepção aguçada de sentido, na pisada firme e desconfiança necessária, que sua existência no mundo se instaura. Ela se manifesta na sensação da lua. A sabedoria, em seu arfar, expande espaços e tempos antigos, para desde o princípio da pegada. Ela veio da terra, mas segue caminho entre a água, movimentando o ar e resguardando a solidez de seu corpo pela admiração ao fogo. É verdade que sair dizendo dela parece perigoso. Mas é só o que vejo quando encaro este espelho. Vejo o reflexo de uma outra coisa que não minha pele lisa, a fragilidade de minha cor, e a tristeza imanente que escorre pelas veias. Quando esburaco estes olhos meus, e outros de mim, vejo uma velha mulher que não dispõe de palavras ou ornamentos. Ela é muda de sentido, mas canta, num sussurro audível, sobre a inteira força do espírito. Aumenta a sensibilidade em meus ossos, e sinto, através dela, minha participação na ancestralidade. Do espelho emana instinto. E de tudo aquilo que é dado importância, por experiência sinistra, horrível e sublime, recupero a antiguidade da coleção, das histórias, do ritmo, e do dar-se as mãos. A palavra coragem vem do sangue que percorre a todas as faces. E aquilo que há tanto foi criado, destruiu-se, e pede recriação. Pede novos cantos e uivos. É preciso permanecer. E dar a morte ao que dela sente sede. Também, por vezes, recorrer às cartas esquecidas, aos objetos da infância, seja para queimá-los, seja para incorporá-los ao que hoje transpira. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

um

Atrás das cortinas vislumbro um nome. Esse nome é desprovido de história, cuja inteira ancestralidade provém dos ossos e células mortas que iluminam o céu. Para os ausentes, agora transfigura em instante solto o que vem ao corpo como pedra memorial, estátua, projeção do desejado. Suspiro. E o sopro move os membros para sua suficiência. Trata-se do que se basta enquanto múltiplo vulnerável, por destruir ao solo, concretude, e aprofundar encontros para deles jorrar, empatia, rosto, buraco aberto e seguro de toda dor, mão no peito, arrebate à pele com fios azuis. Esse é meu coração aberto. E a inquietação ao triste perceber desviares me serve para dizer – aquele único nome. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

2112

No dia que não dormiu, o homem suicidou-se da esperança. Neste dia, a linguagem peculiar que envolvia fragilidades no intangível congelou-se. Aqui não teve noite, só chuva e luz laranja, melodia de estrada. Não era de mágoa, a atmosfera, mas de algo pairando no ar em suspense de brisa fria. Era de decidir pela não-tristeza que o dia amanhecia com garças no céu. Mas aquelas árvores passageiras do tempo ficaram. Os cafés foram dos mais variados que acabei por tomá-los só. É minha mão no peito que escuto respirar? Ou meu corpo inteiro? É minha pele o máximo de mim? Essas perguntas abandonadas, vazias de passarinho caído de ninho...
Que a música soa em lembrança para combater a esperança. Não restam muitas pessoas que cheirem a vento feito gato, de dar confiança ao que não é objeto. Não existem pessoas de acreditar no dentro de si para ver o reflexo dos olhos de vidro. Seus olhos eram baixos no Sol porque sabiam que nunca seriam maduros para solidão. Eles sabiam do dentro milenar que respira desde sempre.

O meu papelzinho de pôr palavras ao mundo perdeu as estribeiras da borda do morro. Assim feito eu mesma, com massa de bolo e muitas açúcares pelas vísceras. Quando o tempo foi embora, foi de não cansar do cuidado com a respiração das coisas verdes. Tem gentes que respiram para fora demais e constrangem os dias passageiros. As gentes têm que reconhecer o vácuo entre as paredes amarelas do sofrer. Que as coisas não tem que explicar para crescer ou motivo para existir do chão.
No ano em que o vento veio para substituir o amor pelo vazio, atentei-me para o cuidado do tempo. Que nem brisa, que vê o movimento dos algos que fogem muito rápido. Que nem som, que ondeia sem perceber.

Estou em dias de combater a esquizofrenia da dualidade. É momento de soltar as mãos e os pés para o vão de nuvens do vazio umbilical. Lá em cima tem passarinho caído de pé torto sussurrando: a vida é assim mesmo, despenhadeiro de silêncio; não é de se equilibrar entre verdades barulhentas. Dias de largar o movimento mental dos dedos que seguram e se apoiam em extremidades. Que nem sempre o equilíbrio é para sensação de entregar-se ao mundo. Umbigo, me rendo ao tempo. Afinal, "o resto do meu corpo é maior que o meu cérebro".