o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Notas del mar y otros viajes

La explosion sigue estes compasos generados por el agua infinito; los siento en los reflejos de venas y contornos del sol adentro mi piel que el inmenso abraza.
We are made of this ancient impulse, and harder we shall shout our silences in their majestic power. They carry across through our bodies and range our beats.
Esto me cuentó el mar y el abierto.


Também existe um universo submergido, de seres que compreendem outra respiração, que acompanha as correntes. Estar longe da terra e perto do mar aproxima o coração do imenso pelo batimento ritmado com os balanços desta força inapreensível. Essa mudança se dá pela reconfiguração sutil dos fluidos corporais e energias redirecionadas pelo vento. O resultado, ao vislumbre da plena possibilidade, o berço e o túmulo, que gera a consequência de, é a coragem para te dizer que o resto da minha vida me assombra, em todas as direções que se deve direito, e que tenho desconhecimento, mas que isso é abertura quando vejo a luz que sai dos seus olhos. Encarei o infinito da solidão desconhecida, e ainda assim pude encontrar a coragem para virar a água assombrosa, deixar que me batizasse, recorrer a seus braços e sentir-me contemplada para dizer de minhas vontades, num tempo arquetípico, no sorriso que dividimos, mesmo solitários e temerosos das confissões, tomando cuidado para não transformar nossas palavras em promessas. Quis ser dragada quando o mar me mostrou o ínfimo e a força que desemboca deste mistério. Mas estivemos lá juntos, estamos aqui, e estamos dizendo nossas palavras com a mesma justiça que desenvolve o sol para que o céu seja também a casa da lua. Ambos se manifestam no azul, e assim é comigo e com você quando dizemos que confiamos em quem estamos vendo, acariciando o seu rosto confio em você, desde a manifestação crua e gentil em seus batimentos.

Eu sinto o desenrolar da sua pele como desmonta agora meu peito em total entrega; enconsto-me sobre seus batimentos mesmo quando estou longe de seus dedos convidando-me a permanecer. A certeza que tenho de uma existência compartilhada perpassa estes olhos refletidos do calor, entorpecidos pela certeza da lua em sua distância exata e sua presença dentro de nós, simultaneamente, nas correntes que ditam as ondas e conduzem nossos passos desde os furiosos corações. Às majestosas imagens apreendidas e reveladas pelo olhar às sombras e contornos, como as gaivotas cortando tamanho imenso desde a sua naturalidade, eu sei desta mesma força pelo ritmo. Você é a confiança do calor e de sua vida aprendo a respeitar o mistério da gravidade como força.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O rio


marte, coração, pulso

Os milímetros percorridos em desenrolar-se de revoltas e retornos estendem-se até o eco de um canto, as depenagens solares, as peles que respiramos, e os gestos que percebemos à medida que existem, já os transformando. A distância daquele rio necessário faz-se junto à atenção focal do rosto e do centro cardíaco. A movida pelo incessante giro planetário exige que se esteja no rio à medida em que se é o rio - aquele que contém o fluxo como princípio. O descarrego de palavras desfaz-se ao contrário, já ato, já feito-fluxo, devir realizado. O momento em que se para de escrever é aquele em que torna-se única solução nunca parar, seguir infinitamente para que se possa dizê-lo. Simultânea é a estadia; você se hospeda no rio por toda a extensão quando está nele como parte, que compreende o mistério no desaparecimento das paredes, do espaço entre as pernas. Nossas moléculas já estão juntas, pois são o espelho e a imagem refletida, responsabilizando-se por aceitar as dimensões do gesto, a doação do nome transtornado pela infinitude contida no contínuo: a morada do coração, a recuperação dos detalhes. A dança circular dos grandes corpos fragmenta-se em partes singulares tocando-se: quando nos damos as mãos para que nossos dedos possam abraçar a proximidade. Percebo as atividades das águas também porque o rio me permite vivê-las. Eu sou o rio.