what if a poem sounded like the falling rain
and could bring the secret of the water’s cicle
passagens e corredores longos pelos caminhos
um despejo que pinga pinga aquele som repetido
atravessando um monumento espatifado diante do mar
à meia luz diante do penhasco aberto no oceano.
dei um passo em direção ao centro
e agora sinto, durante a queda, os membros distendidos pela descida,
cores translúcidas atravessando um espaço líquido
e o tempo aos poucos deixando de existir.
durante a caminhada as mãos com a pele de cobra depelando pelos dedos
uma montanha de corais erguia a terra viva,
no centro da estrela no centro do peito
um gesto gravitacional numa dança ao contraste do sol no avesso,
movimentos já diluídos no acolhimento absoluto lá dentro.
eu sou a impossibilidade de cada percepção,
já de tudo um fragmento de tudo
memoriasinstantessonhos mas superintegrados, indissociáveis,
e as mãos incrédulas por sobre a boca
da matéria impossível do corpo improvável
no olho espiral entrando
neste portal às vistas na floresta de dentro.
um vislumbre da colisão entre nossas incontáveis partículas
um espelho na sala de espelhos do avesso no seu reflexo mostra o lado direito
do olho que vira do avesso cada sinal de luz.
uma oração e os raios já começam a lampejaar uma lavagem magnífica,
uma vela um canto
e a preparação para virar numa porta de galhos apontada para baixo
para o ventre do mundo de dentro.
uma voz melódica pela descida anunciava
a completa inundação
e as pedras brilhavam no altar que uma loba cheirava com tranquilidade.
o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.
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sábado, 17 de dezembro de 2016
poison
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bruxaria,
coragem,
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delírio,
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percepção,
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tempo,
transformação
as cavidades da lua
- sombras etéreas da memória -
esvaziadas do tempo.
o corpo sem presença habita
esse espaço inerte, que se desenrola entre as moléculas caóticas
um giro planetário
um ser humano que é planta (eu quero água, sol e que conversem comigo pela manhã).
toda manhã o sol aparece
e os olhos podem ver os contornos
das mentiras perpetuadas
as ilusões do paraíso
(ah! um lamento pelas edificações sempre sempre arruinadas);
essa impermanência inevitável do rio
e a origem de todo o movimento
vem da solidão duma pedra que pesa entre o estômago e o coração.
- sombras etéreas da memória -
esvaziadas do tempo.
o corpo sem presença habita
esse espaço inerte, que se desenrola entre as moléculas caóticas
um giro planetário
um ser humano que é planta (eu quero água, sol e que conversem comigo pela manhã).
toda manhã o sol aparece
e os olhos podem ver os contornos
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(ah! um lamento pelas edificações sempre sempre arruinadas);
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e a origem de todo o movimento
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
segundo as mãos que medem - as mesmas que escrevem - estamos em 2016. ainda assim, sento-me diante de uma máquina de escrever para nada além de pressionar meus dedos contra teclas cujo ruído encobre tantas pausas, esse silêncio na espera duma letra que reverbera sua constante incerteza,
para arruinar uma folha de papel 80g perfeitamente rugoso, aberto... uma possibilidade sujeita a arruinar-se numa impossibilidade,
porque, afinal, estamos tornando nossas palavras em nossas ações mais inconscientes e por isso falamos sobre, sobre observar, estudar e criar,
e a verdade é tão corruptível, depende destas manchas, o peso dos meus dedos
desterritorializando uma antiga árvore esquecida.
depende do meu café diário e da música que revela o ambiente,
também das histórias contadas e do medo que o vento carrega,
depende do abrigo ou do desamparo, se seu gato também te observa de volta.
é o que dizem as entranhas cósmicas, na atemporalidade dos olhos,
o eterno corruptível no pisar a na decisão, que perpetua
estes nossos mapas equivocados, os relevos no solo.
não significa nada, mas está acontecendo.
no contínuo orbitar-se de tudo entre si, todas as coisas encontram-se relacionadas, existindo num sistema de afetação sempre plural, entre dimensões que abarcam as realidades invisíveis, minúsculas, porvir, imaginárias e impensáveis.
existe também o mundo subterrâneo, espelhando, nas miniquestões onde a diversidade é absoluta e infinita.
a abundância em corromper o papel. uma experiência lúcida
de sua completa decisão
pelo próprio esvaziamento tumultuado
numa abertura monstruosa, este texto sem propósito, a inesgotabilidade da vida.
estamos todos aqui presentes para vivenciar cada singular solidão
guardada dentro do inevitável segredo que nos encara desde o próprio espaço,
intervalo entre nós, a gravidade mesma do movimento das ondas.
somos tão antigos num outro lugar do espaço
que a distensão de
c a d a
manifestação já está correta.
tudo existe.
para arruinar uma folha de papel 80g perfeitamente rugoso, aberto... uma possibilidade sujeita a arruinar-se numa impossibilidade,
porque, afinal, estamos tornando nossas palavras em nossas ações mais inconscientes e por isso falamos sobre, sobre observar, estudar e criar,
e a verdade é tão corruptível, depende destas manchas, o peso dos meus dedos
desterritorializando uma antiga árvore esquecida.
depende do meu café diário e da música que revela o ambiente,
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depende do abrigo ou do desamparo, se seu gato também te observa de volta.
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quinta-feira, 31 de março de 2016
Neblina nas borras da xícara
O
café já estava esfriando há 50 anos desde a juventude da ninfa de cabelos
vermelhos. Um buraco no tempo sabotou os conectores e nada mais pode-se
transformar. Ela quis abdicar de sua vidência e rogava à natureza para que
emudecesse diante da orquestra de pássaros que surgia com a noite; mas todas as
manhãs se levantava ciente de sua voz, comunicando os sinais da Lua ao Sol que
lhe banhava de calor. Sua testa pulsava diante do Nada mesmo dos dias roubados.
Fios brancos que pendiam da cabeça denunciavam a insistente vontade, uma fome
voraz que restava no âmago da Terra. Diante da morte e do renascimento, a ninfa
debulhava sua inevitável voz nas horas consumidas enquanto bordeava,
entorpecida, os troncos das árvores. Cantava palavras que ainda não existiam
para preencher o eco da floresta. O som enigmático da madeira estalando junto
às folhas assopradas pelo solo respondia à voz da ninfa como um órgão vivo.
Suas mãos transparentes iam segurando os cipós que pendiam do céu e desenhando
símbolos do ar. Por toda a extensão da floresta abriam-se as portas celestes do
tempo corrompido. Por cada entrada ressoava o ruído magnético de um organismo
infinito, e a floresta se reproduzia num dominó de retratos espelhados. A voz
da ninfa era maior que seu corpo; o abandonava para participar de seu Destino.
Seu corpo diluía-se na respiração da floresta, que ligava as sombras e a luz
entre os dias emendados.
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A janela
A
sensação de observar a janela do trem que percorre caminhos desconhecidos já
assimilados em memórias dessas luas revoltas é como a imagem que tenho de um
corpo que talvez seja o meu correndo pela natureza aberta de nenhum lugar, a
pele debaixo do sol e o suor escorrendo pelas costas em contraste com o vento
em movimento, rindo ou chorando até o desaparecimento do corpo, que aqui
sentado perante a confusão absoluta de um instante sublima-se ao etéreo,
engole-se a si mesmo numa lágrima seca que transformou a luz, o medo, a viagem,
o tempo e a proximidade.
Relatos de um momento de experimentação
Quero encontrar
maneiras de escrever narrativas EM ESPIRAL.
Existe um conto
a respeito desta jornada que não pode ser escrito
Nem
de trás pra frente
Nem e frente em
diante, porque meu jardim de bétulas é um labirinto que começa já no centro de
um interior flutuante, trata-se de uma coisa que está sempre localizada entre
as medidas e que não pode ter nome,
Porque cada
curva já compreende uma nova decisão perante o confuso e a refeitura necessária
de um caminho renovado pela resiliência do tempo.
O presente é um mito de memórias
projetadas pelos grãos de terra revoltos
que se mastigam e superpõem uma
lenta espera.
Talvez se soubesse o peso de cada
espaço entre a incisiva letra e a hesitação no falho não dito
surgiria
uma vida
invisível, escondida de suas próprias dúvidas.
Talvez o dia durasse qualquer
continuidade possível entre nossosolhos.
Nesse dia transformarei dezesseis
horas em páginas em branco
Salteadas das cores por baixo da
pele desde a transparência da simultaneidade.
Trata-se do dilúvio-tinta dos pés
em contraste com o chão
restituído do deslocamento
inicial na tentativa de pisar os desníveis circulares
ou sl algo assim
Meu amor, vamos cruzar o oceano?
O oceano é infinito
como o passado recuperado pelas
estrelas e pelos nossos tecidos.
Se dentro dessas estrutura
coubesse uma imensidão que retorna
eu contaria a história de uma
mulher que não tem idade.
Agora sou como uma criança num
jardim onde habita uma sociedade de
serrrrrres fantásticos
e afirmo que a poesia também pode
ser o lar de uma história
que queira contar vozes fantasmas
e inventar o que já existe.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2015
when you say you remember me from another life, i know that you are
actually feeling something at the right now; we are such a huge
reflection it pushes you ahead, projecting your heart, your blood and
bones into the spaces occupied by a glance. your forgotten existences
gets justified by your imense expansive recognition, a wisdom so deeply
felt and so old it ages the moment with our crossed looks, and it makes
you wanna say impossible words like forever.
lets admit how it launches us into the opening perception, an infinite mirror-travel - this window.
this possibility gets our hands to became all the hands we need on those two unique pair.
lets admit how it launches us into the opening perception, an infinite mirror-travel - this window.
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Open
Da seca e distensões do espaço
I’ve been seated here watching time lapses pass with intensities I can’t measure. The slow days are currupted by sun lashes coliding inside my eyeballs and across this learning skins. Open skys have been engaging my commitement with the clouds, that carry the wet understanding through the limits that divide us. Once again the wakening paths of the morning, wich takes care in our cells to generate reactions under the muscles, show our insisting distinctions because the wakening means to recreate the beats and speculations beneath flesh of soulfull teardrops. Joy is not an objective cherrished when carring blood pumping yells at faces discoulored: I need the big ocean as an origin of life and veins and pores and secrets. And the opening imense rests inside.
[O ímpeto que impele amedronta, uma mão vem do contido que não pode romper a camada e seu corpo começa a espasmar, escorrer irregularmente pelos redemunhos espiralados nos órgãos, você brada os descaminhos, apenas nada tomaria parte da inacessível questão: a que se faz distante, nessa mudez que aqui tomam as formas dos borrões acidentais que afundam estruturas inteiras. O cataclismo de eclodirem a inquietude e o ser gigantesco cada movimentar-se apresenta-se imediato.]
Here I am at the bakery drinking morning coffee, I don’t know what time it is actually and it doesn’t matter even though it has occupied my head for a moment. An olderly woman I have never met before is telling neighbourhood stories that I also didn’t know existed around here how long afterall have I been here inhabiting these streets wich I believe to have conquered already, but the fact is such as the cold wind blows through my coffee cup and I am drinking slowly the earth and drops of coffee roll over themselves because the past is being left around everywhere beneath our feet somewhere baried getting closer to inside almost at the point to come across and begin on the other side as story telling launched into blue skies so opened it is the own sea oceanic disclosure where everything goes, the ultimate end, my deares interlocutor.
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Sobre os magos do tempo
To
realize that you have power in your hands is to feel that you can
change anything.
Os
magos do tempo são aqueles que choram quando percebem o movimento
das nuvens feito a realidade que pode ser compreendida como o surdo
mover-se do solo em torno de si mesmo. Visto do alto, o chão se
transforma no abismo preenchido das fluidas formas esbranquiçadas em
texturas e reflexos de tarde, como em verdade já o é, e o céu
colapsa com a ausência de horizontes em uma amplitude devastadora e
inignorável. Daqui, movo-me tão depressa que tudo o mais
encontra-se estático. Não há ponto de partida ou de chegada quando
se está em suspensão, distante da Terra, em nenhum lugar. A
distância que se está instaurando cada vez mais longa, também é,
segundo por segundo, ou a cada traço desta poética, menos tempo até
que estejamos perto como se aproxima o mar dos pés afundados em suas
partículas de chão. Atravessei o portal de fumaça que me causou a
certeza de estar entre todas as direções. Ao erguer-me, apertei um
fio de seus cabelos que encontrei em mim, com as mãos e olhos
cerrados, e vi a presença de seu rosto, que me abraçou, ali,
naquele instante. São magos aqueles que confiam em suas mãos como
armas que podem construir. Com elas, podemos alcançar ao rosto do
outro desde o contínuo bombear, este fio condutor de profundezas,
como o mar, senhor do infinito, mãe de nossas fragilidades, casa de
todos nós.
(En
realidad es dificil explicar porque te siento aqui y como sé que voy
a construyer dias hasta su direccion. Yo queria hablar sobre los
magicos, estes, como nosotros, que son capaces de reubicar el espacio
solo con sus pasos. Mi razon es que ahora necesito mantenerme creendo
en esta fuerza adentro, la misma que me hace conjurarte para que no
me desespere con algo que sueña ya hecho, a
punto de hacerme extrañar el futuro,
pero que sabemos depender de nuestras volundades. La realidad cambia
y yo escribo para observar el cambiante en estas palavras mismas
mientras tornanse vivas. Escribo a vos porque me desnudo de la
verguenza y puedo admitir mi miedo. Con mis manos hablando directo al
respirar, a nuestro tiempo personal. Me estoy volvendo a la casa como
se fuera antes; pero el devenir ya esta en el sol llendose hasta el
otro lado, o descansando para
que la luna sea maestra del tiempo por la noche).
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prosa poética,
tempo
Notas del mar y otros viajes
La explosion sigue estes compasos
generados por el agua infinito; los siento en los reflejos de venas y
contornos del sol adentro mi piel que el inmenso abraza.
We are made of this ancient impulse,
and harder we shall shout our silences in their majestic power. They
carry across through our bodies and range our beats.
Esto me cuentó el mar y el abierto.
Também
existe um universo submergido, de seres que compreendem outra
respiração, que acompanha as correntes. Estar longe da terra e
perto do mar aproxima o coração do imenso pelo batimento ritmado
com os balanços desta força inapreensível. Essa mudança se dá
pela reconfiguração sutil dos fluidos corporais e energias
redirecionadas pelo vento. O resultado, ao vislumbre da plena
possibilidade, o berço e o túmulo, que gera a consequência de, é
a coragem para te dizer que o resto da minha vida me assombra, em
todas as direções que se deve direito, e que tenho desconhecimento,
mas que isso é abertura quando vejo a luz que sai dos seus olhos.
Encarei o infinito da solidão desconhecida, e ainda assim pude
encontrar a coragem para virar a água assombrosa, deixar que me
batizasse, recorrer a seus braços e sentir-me contemplada para dizer
de minhas vontades, num tempo arquetípico, no sorriso que dividimos,
mesmo solitários e temerosos das confissões, tomando cuidado para
não transformar nossas palavras em promessas. Quis ser dragada
quando o mar me mostrou o ínfimo e a força que desemboca deste
mistério. Mas estivemos lá juntos,
estamos aqui, e estamos dizendo nossas palavras com a mesma justiça
que desenvolve o sol para que o céu seja também a casa da lua.
Ambos se manifestam no azul, e assim é comigo e com você quando
dizemos que confiamos em quem estamos vendo, acariciando o seu rosto
confio em você, desde a manifestação crua e gentil em seus
batimentos.
Eu
sinto o desenrolar da sua pele como desmonta agora meu peito em total
entrega; enconsto-me sobre seus batimentos mesmo quando estou longe
de seus dedos convidando-me a permanecer. A certeza que tenho de uma
existência compartilhada perpassa estes olhos refletidos do calor,
entorpecidos pela certeza da lua em sua distância exata e sua
presença dentro de nós, simultaneamente, nas correntes que ditam as
ondas e conduzem nossos passos desde os furiosos corações. Às
majestosas imagens apreendidas e reveladas pelo olhar às sombras e
contornos, como as gaivotas cortando tamanho imenso desde a sua
naturalidade, eu sei desta mesma força pelo ritmo. Você é a
confiança do calor e de sua vida aprendo a respeitar o mistério da
gravidade como força.
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quinta-feira, 2 de abril de 2015
Outono III
a renovação da árvore
Da perspectiva que assumi ao encontrar-me vivendo as escolhas tateadas aquém dos calos nas mãos, agora vejo este espaço com a transmutação dos temporais em água bravia do horizonte. A expansão nos olhos para as extremidades não acompanha a infinitude por caminhar. Agora estou demonstrando o legítimo desmaio ao vislumbre do que é real. As reconfigurações requerem novos preparos. Sigo coletando o material de preparo, entre experiências cristalinas ao desterritório vivo onde sou lançada, há dias e meses para trás, além dos outros fugidios do escapismo, junto ao vazamento descontrolado dos limites hominídeos frente à impossibilidade de colecionar, aqui, pertencendo a este corredio tempo, da escrita, à face da palpabilidade. O desmantelamento da pele ardendo em descamação espalhara-se comigo, e eu revolvendo junto ao mar, por sobre um cavalo submergido, empunhando a espada dos olhos vigilantes. Seguia o peito aberto e os propósitos para cada instante fantasmal - a palavra que acontece e o novo não experienciado antes, o imprevisto, que traz as notícias do bordeado.
[deve ser por este motivo que levo chuva e duendes comigo; pelo coração sempre próximo às fertilidades, ao amor pelo crescimento dos cabelos e da intimidade. você comprova, a cada embalo novo do respirar, a existência do universo].
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Outono II
a renovação da árvore
Venho sentindo moverem-se as águas desde o virar das luas, o torpe giro do sol; estou submersa ao toque do raiar entre sóis e luas concomitantes. Ao deserdar o caminho de casa, onde se pode desaguar, o mecanismo elementar do ato em escolha por entregar-se ao caminhar, o descontrole desapropria-se, a todos os nomes se esquece e o caminho translúcido reaprende o respirar. Há que recordar-se do ato, e seguir por qual pisada? Aparecem aqui no papel delineadas as perguntas, o reencontro fracassado, a aparição do descaminho. A perspectiva lançada à necessária conclusão, o momento da chegada, extrapola o espelho. Não sei do que se tratam essas colocações frente ao exposto, à tempestade. Quando se espera pelo fim do precipitado, o infinito desague, sobem os raios, desviando a sensação de frescor. Por essa perspectiva, é preciso dizer, para além das sabedorias concebidas pelos sentidos. A possibilidade de dizer sempre outras coisas é o que opera em desanuviar o espaço e reconhecer o caminhar. A floresta é densa e o percurso se desconhece. Venho entrando em moradas, ao custo de um pé, movida pelas luas que viram o rio por baixo.
How are you feeling about love these days?
Deparo-me com a sensação inteira do próximo movimento. A ponta rente à pele transparente, gotejando blues pelas pareces da subida, ao som de borboazuletas inflamadas; ainda, o descontrole absoluto da pisada, trepidando pelas linhas, alvejando, aos gritos de confiança presente, a saída desde o casulo. Naquela tela pintada, e a nascente entre o bosque ao lado da casa - aqui, sobre as mesmas pedras - voávamos dentro do mato, do rio e do sol. Hoje estou frente às entranhas do legítimo crescimento, acompanho o desenvolvimento das plantas, desexplodindo a bifurcação. O tempo, cada segundo, suas repartições incalculáveis do reino do sutil escorrem quando fito o perdido nas fumaças. Encontro-me diante ao organismo que palpita e diz: às suas extremidades, sensíveis à passagem do vento, aos movimentos do coração, aos toques de longa mirada, confie quaisquer soluções. A sobrevivência está em seus pés e mãos.
Outono I
a renovação da árvore
O ar fresco que respiro para poder contar do que é real vem do grandioso vasto espaço, lá fora, desde o vácuo expansivo. O corpo orbital reconhece o ir-se aproximando, mas tateia o aberto em cada gesto. Desde o completo esvaziar nas mãos inerte, uma suspensão luminosa do tempo - aqui, onde parecem haver pés sobre a calmaria - busco relembrar o agora. Tudo dorme e o encontro ao papel consola da imensidão, abajo el cielo azul, conjurando a deusa desde o labirinto.
Nenhuma palavra pronunciada
Alcança o fundo deste coração
Que as deforma, esticando
Os limites do vislumbre.
Assustado o tempo,
Conjuro a passagem tranquila
Para um lado com sol e luz
Dos respirares uníssonos.
Escrevo para desemaranhar
As pontas dos teus olhos
Que miram a mesma lua
Recebendo o uivo da loba velha.
Assim vem o meu silêncio
Com as dobradiças ondeadas
Pela espera e o lançamento
Ao destinatário do outro lado.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Quedate Luna
relatos do mar
Apesar dos ruídos vindos das bocas e olhos que dão à areia seus caminhos, a infinitude quebra na orla e dá mover-se aos pássaros planando no espelho. Pode-se ouvir o quebrar, as águas furiosas redobrando-se em nuvens. Era um momento só com o mar o contemplar o infinito e a força do submundo, mas me sentia sozinha como consequência das presenças desconhecidas e da observação entre o bambu e o carvalho.
Existe outro lado. Isso sei. Existe presença ausente? Existe mais gente, ou menos gente?
A cada novo tijolo sinto-me só, mas não contra o mar e o céu, que contornam a distância. É o tecer por entre ambos, onde tudo precisa ser real, estar relacionado ao bombear. O carvalho, ou o bambu?
Quem mora no mar conversa com todas as árvores quando fica em silêncio. Quem encontra-se com o som debaixo da terra, vê o murmúrio que traz o marejar de todos os lugares. Das pessoas aqui, a linguagem só responde às águas, para dizer-lhes que aguarda todas as luas (uma para cada coisa). Na chegada das luas, o mistério se desfaz e o amor pode enfim ser doado. Acontece, porém, o dia, quente e iluminado, quando surge o entendimento da aparição inevitável, que mora no espaço e reluz. Neste momento é que a lua se faz desejada e o chamado é lançado. A clarividência transforma-se em ponto magnético, o outro lado, que está lá na afirmação do mar, profundo, secreto, impetuoso.
Encontrei as criaturas da água durante a noite; apaixonei-me pelo outro lado. Deste lugar vem tudo, e com tudo é que localizo a extensão alcançada por minhas veias, fazendo correr o fim do sol, o início da espera, a capacidade de te espreitar no reflexo do além, e a vontade de nadar até lá para aprender com a imensidão.
A fluidez do retorno acontece quando a noite cede, e as estrelas dão lugar aos contornos abstratos dos montes no horizonte. Ocupam diferentes estares os níveis sutis das montanhas, que se dissolvem quando adentram às nuvens. Aqui existe um tempo que ainda não é dia, mas já abandonou a clarividência da noite: é uma pausa que não tem nome, para que dialoguem os sábios dos céus em sua linguagem sublime. Para dentro e para cima (desde debaixo para fora), o imenso, a explosão gloriosa do espaço - onde, ali, você também existe. Aí reside uma verdade, as cores estão aí também; as palavras têm poder para curar.
O limite é o mar. Existe o outro lado, o sol virou, a lua já é outra novamente. O círculo flamejante que desvia a retidão do olhar enfim surge, como única palavra que é repetida e anuncia, por detrás da pedra, no fim do mar. Existe vida do outro lado.
Era como se o vento entrasse na casa com a força do mar bravio que me despertou essa manhã. A troca inevitável de instantes surpreende ainda quando olho a inundação translúcida.
(Esta série de reflexos do mar contrasta rapidamente com o calor nas peles coloridas transitando pelos cantos. Passam os olhos pelos sons transformados ao longo da noite. Passa a gente e para no dia para olhar. Começa a vivificar a onda desde o centro do movimento. O estômago do mundo; daí vem a força).
Em alguma parte enterrada faz morada o medo de aceitar este momento, sua beleza insondável e a passagem da realidade. A gente que para pra ver, encontra. E leva pra casa, deixa a onda vir, inunda tudo, nota as expressões lançadas à sincera manifestação das mãos que criam por fora o caminho mesclado de dentro. Surpreender com o pungente som parece claro, direto. Estou surpreendendo junto às sutilezas, sabendo que tudo participa do mesmo lugar, e estes caminhos se completam.
Fazer do mar casa é um movimento perigoso. Não há mais do que descaminhos nessa força que desemboca. O mar é casa em suas profundezas, quando não mais pesa a presença do abandono, só existe amplitude no âmago do mundo.
O bendizer do
Horizonte, encontro
das forças calmas,
Desagua perto
sobre os pés
Para anunciar
Que arrastará os corpos
para o fundo, onde
reside o rio
Sob a terra, a alma
do mundo, o buraco,
indundado;
Este lugar esconde
o amor, a desolação
e a entrega absoluta
ao movimento do tempo.
A maior extensão medida pelos sentidos, a fúria dos últimos três dias, filtrada pelo coração, traz ao dizer impossível, o inconcebível futuro. Passam todos os planos e meus esforços estão prontos para escapar aos pulmões em forma de grito mudo na direção de todo o vazio.
Eis a mensagem para a garrafinha lançada.
O coração e o mar fazem movimentos correlatos:
para dentro, uma profundeza inestimável.
para fora, uma força que ninguém alcança enquanto sabedoria.
Só vem o suspiro abstrato.
Trata-se de uma unidade imperiosa que acolhe e atrai tudo que ainda não participa nesta fúria.
Só os contém quem ama abertamente.
Só os que enfrentam as questões da alma.
O despertar tranquilo respirando todas as células acontece desde a água e aí desemboca quando o coração fica suspirando. As memórias ficam então abertas à construção para afirmar que existimos todos juntos. Cada onda que volta, já vem de outro lugar, transformada pela inteireza do porvir.
Ficam pegadas no úmido do chão. E outra vez existe o perigo no desejoso espírito.
O antigo com o novo num retrato que ainda não se pode ver. Está no filme enrolado dentro dos olhos, compreendendo os relatos do mar à toda profundidade. Agora só se pode dizer do movimento das estrelas e que, na falta de morada, há o mar para hospedar os movimentos que rebentam sem que os esperemos. Há a mãe da alma para cuidar da paciência necessária ao encarar a impressionante existência. Este aprendizado, de compreender a casa em movimento, abre um espaço no centro do corpo para que circule o ar. Demanda troca incessante, respirar com o meio desimpedido, aceitar a despedida. Compreender o retorno serve para cumprir um destino do coração. Não há como impedir o contínuo bater e o desaguar. É necessário receber o que vem do profundo mar. I dont have a choice, bu I still choose you.
Eu escolho recebê-lo feliz e grata, ciente da força arrebatadora, ciente da transformação irrevogável. Não existe reviver, só traço, seus desenhos do rosto que não formam imagem são feito sonhos, dando sinais ilegíveis, tornando realidade um caminho ao revés.
Alto, alto, alto estou só, sentindo esta linha invisível de extensão infinita. Não importa aonde estivermos pisando. Estou no ar e te sinto presença real, porque a lua fica, e o mar é a única realidade inquestionável.
A lua revoga a claridade para abrir o despenhadeiro da terra e o encontro com a sombra vislumbrada. A penumbra nebulosa convida para dentro o desenrolar deste destino.
O bendizer do
Horizonte, encontro
das forças calmas,
Desagua perto
sobre os pés
Para anunciar
Que arrastará os corpos
para o fundo, onde
reside o rio
Sob a terra, a alma
do mundo, o buraco,
indundado;
Este lugar esconde
o amor, a desolação
e a entrega absoluta
ao movimento do tempo.
A maior extensão medida pelos sentidos, a fúria dos últimos três dias, filtrada pelo coração, traz ao dizer impossível, o inconcebível futuro. Passam todos os planos e meus esforços estão prontos para escapar aos pulmões em forma de grito mudo na direção de todo o vazio.
Eis a mensagem para a garrafinha lançada.
O coração e o mar fazem movimentos correlatos:
para dentro, uma profundeza inestimável.
para fora, uma força que ninguém alcança enquanto sabedoria.
Só vem o suspiro abstrato.
Trata-se de uma unidade imperiosa que acolhe e atrai tudo que ainda não participa nesta fúria.
Só os contém quem ama abertamente.
Só os que enfrentam as questões da alma.
O despertar tranquilo respirando todas as células acontece desde a água e aí desemboca quando o coração fica suspirando. As memórias ficam então abertas à construção para afirmar que existimos todos juntos. Cada onda que volta, já vem de outro lugar, transformada pela inteireza do porvir.
Ficam pegadas no úmido do chão. E outra vez existe o perigo no desejoso espírito.
O antigo com o novo num retrato que ainda não se pode ver. Está no filme enrolado dentro dos olhos, compreendendo os relatos do mar à toda profundidade. Agora só se pode dizer do movimento das estrelas e que, na falta de morada, há o mar para hospedar os movimentos que rebentam sem que os esperemos. Há a mãe da alma para cuidar da paciência necessária ao encarar a impressionante existência. Este aprendizado, de compreender a casa em movimento, abre um espaço no centro do corpo para que circule o ar. Demanda troca incessante, respirar com o meio desimpedido, aceitar a despedida. Compreender o retorno serve para cumprir um destino do coração. Não há como impedir o contínuo bater e o desaguar. É necessário receber o que vem do profundo mar. I dont have a choice, bu I still choose you.
Eu escolho recebê-lo feliz e grata, ciente da força arrebatadora, ciente da transformação irrevogável. Não existe reviver, só traço, seus desenhos do rosto que não formam imagem são feito sonhos, dando sinais ilegíveis, tornando realidade um caminho ao revés.
Alto, alto, alto estou só, sentindo esta linha invisível de extensão infinita. Não importa aonde estivermos pisando. Estou no ar e te sinto presença real, porque a lua fica, e o mar é a única realidade inquestionável.
A lua revoga a claridade para abrir o despenhadeiro da terra e o encontro com a sombra vislumbrada. A penumbra nebulosa convida para dentro o desenrolar deste destino.
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Landscapes
Possibly, maybe
Love is all around
Bjork
Ao foco sentenciado
Pelas retinas em chamas
Escapa o espaço ao chão que ocupa.
(Suas imensas pernas esticadas
em direção à travessia
trafegando entre o rolar dos minérios
e o contrário das árvores).
À espera do mistério concebido
No útero daquele letreiro luminoso
Que dizia todo o resto,
Anunciou-se o encontro do
Tempo com o desembocar
No porto dos sinais:
Ali estavam todas as mensagens
Enviadas ao horizonte
Enquanto encarávamos nossa existência simultânea.
Ela era coroada, pois se
Sabia de seu destino a ser arruinado
Quando fosse impossível respirar.
A minha lucidez era tangível
Dentro da espiral em seu sopro,
Que nada parecia à imitação das outras coisas.
Todas as respostas estavam
No mar, onde moravam
Minhas penugens soltas.
Cavei uma terra fértil
Para enche-la com suas
Continuidades fora dela.
A seguir, as mãos suficientes
Para erguer um reino,
Abaixei os olhos para agradecer,
E tudo permanecia agressivo,
Vindo desde os outros
Lugares do sutil escapismo.
Eis que aparece aberto
O canal no centro do
Além -
E entrego o amor, inclusive,
Que existe deste âmago
Tanto quando o sangue existe para corar.
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sábado, 20 de dezembro de 2014
dilúvio
(Durante os longos tempos que tomou a reverência à lua em minha curta vida, senti desde o sangue magmático que latejava em meus órgãos a expulsão do que necessita ser presentificado. Estávamos reunidas em círculo para bendizer o dom da vida, homenageando-o com nossas vozes e mãos. Atrás da casa havia o desembocar de águas caindo à meia noite de sagitário. Apontamos nossas flechas enfeitadas com fitas brancas para a correnteza, que desmantelava nossos segredos persistindo no fluir. Todos os sonhos com a chuva desceram à terra úmida que puxava os pés para o fundo da derrocada, ao encontro dos musgos mergulhados na quietude do submundo. Cantamos de olhos voltados para dentro, amanhecendo as novas células do próximo instante, conjurando suas partes com a sabedoria do bombear, as veias abertas a todos os segundos explosivos que arrebentam-se no bater, e a certeza então vindoura, e sempre, de respirações conjuntas.)
A fumaça, não sei sabia se emanava da caneta que eu segurava, da respiração dos gatos, do sonar preenchido que ocupava o ambiente. Dentro de casa habitam os bichos, isso se sabe. É assombrosa a vontade que move os pés até acontecer o desenrolar da relva sobre a terra, e tudo ser novo. Aguardávamos com atenção ao dilúvio, reunidos, esperando que viesse nos encobrir para que subíssemos, nadando com os nossos membros e buracos do corpo.
Agora aqui põem-se satisfeitas
As anciãs que ataram os cadeados
Do silêncio entranhado em registros
Invisíveis do dizer.
A inteira camada segue costurando-se
Nesta entrega ao Destino de
Minhas mãos movidas a
Sussurros antigos.
De dentro da caverna reverbera
O rugido afora ricocheteia
A participação avulsa e real
Percorrendo estas cantigas.
E só assim, nesta prontidão
Fantasmática do instante
Que ocorre o impossível
Reproduzir dos sinais.
Nesta conjectura espiralada
Ao meu desejar ao bem-vir
Do dilúvio, reencubro-me
Viva, viva.
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segunda-feira, 17 de novembro de 2014
trajeto 1
Pelo princípio do desvelar contínuo ao território, permaneço escrevendo cartas desde o dilúvio, expandindo à continuidade a morada de nosso contato, pelos átomos que se abraçam, até o dia em que se azulear a borda do horizonte. Compadeci ao lembrar-me que, deste anterior, já contemplavam nereides da descoberta, e já revolvia a terra desde o amálgama do âmbar. Surgiram faíscas no formato do céu por entre a chuva refletida nas lagoas de cristais, no meio de uma árvore atravessada, e revelou-se a flor do apaixonado, dissolvida por tons azularroxeados em verde sagrado. O corpo resplandeceu para sua manifestação e quis colher das pedras seus fungos, um por um, enquanto eu concebia a paciência exercitada em nossas distâncias e crenças por sobre a realidade processual do movimento. Permaneço escrevendo para que permaneças espiral, e re-gire a participação nos trajetos do vento, nesses dias tomados pelo humor das folhas, por entre nós e tantas noites afirmando a vinda do sol. Na coragem do mergulho, sendo por dentro à água da porta aberta, esses raios trouxeram a graça do respirar em constante decisão ao convite de escrever-te. A travessia para o próximo momento veio com a cura do choque térmico, e registrei minha presença inteira em meio à confusão expansiva do espaço. Cantou conosco uma arara colorida de atmosfera, no topo do ar - um sonido pungente do céu à primeira comunicação para que descessem os raios do leque da mãe, iluminando o que se pode ver. Com o rugido anunciado pela torrente-que-cai, ao nosso vento liberto, corremos ao encontro de abrigo enquanto choram os que necessitam e circulam os lençóis que nos alimentam. Segui passo pelos lares que surgiram, certificando-me de cuidar da liberdade desenvolvida em nossa linguagem, que nunca soube dizer o que éramos. Quando o sol ressurgiu, segui e, agora, com esse presságio, escrevo isenta de necessidades, mas no poder de meus quereres, movendo-me demoradamente até você, só para, no meio do caminho, percorrer a todo o universo.
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quinta-feira, 6 de novembro de 2014
luna llena
segurei essas mãos até que a caneta errou o papel e verteu em direção à boca, tamanha a fome de tinta azul e intoxicação por outra coisa que não a porta do elevador fechando, os espelhos sucumbindo a caretas tediosas no momento em que me encontram, as unhas delatando a derrocada falha ao processo dos pormenores, a mesma tinta da caneta arroxeando linhas de expressão, casca de árvore, fibrosas feito meu coração insistente em dar voz à vitalidade que me lembro quantas cartas de amor ainda estão por escrever, todas destinadas aos mesmos olhos e enviadas a desconhecidos na solidão de suas casas esperando até que morram de desgosto mastigados pelos próprios tecidos, dentre todas essas imagens que recortei a esmo na companhia de amigos inteligentes que revelam a realidade, pois me apegava às texturas da mesma maneira que faço nas noites à lembrança dessa loucura nas vísceras debaixo, encatatoneando o olhar para os seres de cima, todos os espelhos daquele encerramento como o mesmo infinito repaginado por si mesmo, e eu encontrando alimento num livro que deveria estar em outra língua passando por desejos súbitos de calma e contensão enquanto me doem os nervos da mão e os papeis caem e descubro formigas que não existem e sonho e desperto cheia de vontade de dançar com os gatos, explodir de felicidade e urgência, renomear cada uma das memórias, presentificar a saudade que sinto a daqui uns meses, quando se tornar insuportável consultar o passado nos oráculos e ver a permanência da confusão indecifrável para nenhum código possível esfaimada que fico no interior já ciente em incertezas disfarçadas por possibilidades que insistem em esmiuçar a coragem mas eu não deixo não porque preciso buscar o ar quando vem o tempo e a morte anunciada pela luz do farol no mar esverdeado pela respiração da terra e enternecido quando fecham os cílios dessa lembrança.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014
flores
Hay
desajustado espacio en mi corazón,
aumenta y diminuye con
el espacio del tiempo
si me quedo lejos de mi casa,
ese cuerpo solemne que a todas las cosas quiere contestar,
como al sol que se muestra para hacer claro
todo el camino desde que llegue a este suelo rico y capaz.
Estoy escapando de las palabras desconocidas
asi que me siguen todos los dias
y los trazos de rostros
en mis sueños más reales que todas las memorias combinadas a las ganas en las vísceras
de ver esta gente esta ciudad llena de amor
y estranhamento, porque no conozco las
palabras que ahora diseño
y aventurome por un territorio con aspecto de abrazos y palabras deformes.
La mixtura de colores por las arboles en la primavera son
el alimento de una descubierta
del vacio y del lleno
cuando me recuerdo que la realidad es mi vida
y que los encuentros se pasan para que no me olvides
donde estube
en los descaminos ensiñando
la fragilidad de mi casa aqui y ahora.
aumenta y diminuye con
el espacio del tiempo
si me quedo lejos de mi casa,
ese cuerpo solemne que a todas las cosas quiere contestar,
como al sol que se muestra para hacer claro
todo el camino desde que llegue a este suelo rico y capaz.
Estoy escapando de las palabras desconocidas
asi que me siguen todos los dias
y los trazos de rostros
en mis sueños más reales que todas las memorias combinadas a las ganas en las vísceras
de ver esta gente esta ciudad llena de amor
y estranhamento, porque no conozco las
palabras que ahora diseño
y aventurome por un territorio con aspecto de abrazos y palabras deformes.
La mixtura de colores por las arboles en la primavera son
el alimento de una descubierta
del vacio y del lleno
cuando me recuerdo que la realidad es mi vida
y que los encuentros se pasan para que no me olvides
donde estube
en los descaminos ensiñando
la fragilidad de mi casa aqui y ahora.
(quis proteger minhas memórias quando tranquilizei-me nas possibilidades das novas terras serem anêmicas e vazias. era improvável que às afecções não fechasse a garganta para uma ruga na testa e choro sem lágrimas. lugares por onde nunca se pisou são solos inesperados, embora de loucura antevista, com o presságio daquilo que vem desconhecido, e se supõe desmerecido, não iniciado. todo caminho que se pisa é solitário, só há certeza no solo revolto, que evolui a novos buracos, cada vez, atingindo uma instância de movimento, desde a vida, os fluxos por dentro, líquidos corporais e lençóis de terra, abundância de descontrole, parto amanhecido, desdobramento para outro tempo).
Me quede muy apasionada con mi partida. No puedo
mirar mis ridiculas palabras en castellano, pero me importa mirar a las calles
y ver como todo me recuerda el tiempo, mi casa sobre los pies, y que ya extraño
a esa rara lengua, la riqueza de sus personas, los edificios y marcas en sus
ruínas, como me siento tan vieja volviendo al caos de esa existencia unica, que
por mil motivos nos muestra encuentros, muchas gracias, y, por supuesto, tanto
tanto amor. Hay mucha felicidad donde esta su corazón. No te olvides las luces,
las calles, las plazas, el viento, los nombres que tienen las cosas, como
llaman los espacios, el color del sol, aquellos ojos, todo que probastes, las
sequencias, el cariño, los nuevos amigos, los pajaros que cantan siempre, cada
esquina, los confrontos, el extraño, su suerte, los libros, el suelo y el olor.
No te olvides de tu soledad cuando recordar todo lo que tocastes, pero también
no te olvides del movimiento inevitable, en su cuerpo, en todo afuera, porque
ahora tienes más trazos, más historia y más coraje.
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