segundo as mãos que medem - as mesmas que escrevem - estamos em 2016. ainda assim, sento-me diante de uma máquina de escrever para nada além de pressionar meus dedos contra teclas cujo ruído encobre tantas pausas, esse silêncio na espera duma letra que reverbera sua constante incerteza,
para arruinar uma folha de papel 80g perfeitamente rugoso, aberto... uma possibilidade sujeita a arruinar-se numa impossibilidade,
porque, afinal, estamos tornando nossas palavras em nossas ações mais inconscientes e por isso falamos sobre, sobre observar, estudar e criar,
e a verdade é tão corruptível, depende destas manchas, o peso dos meus dedos
desterritorializando uma antiga árvore esquecida.
depende do meu café diário e da música que revela o ambiente,
também das histórias contadas e do medo que o vento carrega,
depende do abrigo ou do desamparo, se seu gato também te observa de volta.
é o que dizem as entranhas cósmicas, na atemporalidade dos olhos,
o eterno corruptível no pisar a na decisão, que perpetua
estes nossos mapas equivocados, os relevos no solo.
não significa nada, mas está acontecendo.
no contínuo orbitar-se de tudo entre si, todas as coisas encontram-se relacionadas, existindo num sistema de afetação sempre plural, entre dimensões que abarcam as realidades invisíveis, minúsculas, porvir, imaginárias e impensáveis.
existe também o mundo subterrâneo, espelhando, nas miniquestões onde a diversidade é absoluta e infinita.
a abundância em corromper o papel. uma experiência lúcida
de sua completa decisão
pelo próprio esvaziamento tumultuado
numa abertura monstruosa, este texto sem propósito, a inesgotabilidade da vida.
estamos todos aqui presentes para vivenciar cada singular solidão
guardada dentro do inevitável segredo que nos encara desde o próprio espaço,
intervalo entre nós, a gravidade mesma do movimento das ondas.
somos tão antigos num outro lugar do espaço
que a distensão de
c a d a
manifestação já está correta.
tudo existe.
o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.
Mostrando postagens com marcador processo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador processo. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
palavras-chave:
devaneio,
devir,
escrita analógica,
existência,
filosofia da linguagem,
nova poesia,
novos escritores,
poema,
poesia,
processo,
prosa poética,
tempo,
transformação
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
nota
los ojos cerrados con el dia claro adentrando las membranas en esta noche de verano. la niña probaba la experiencia de la propia compañia mientras el viento le abria las manos. en la calle, las lineas circulares hacianse rotas siempre que recorridas.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Sobre os magos do tempo
To
realize that you have power in your hands is to feel that you can
change anything.
Os
magos do tempo são aqueles que choram quando percebem o movimento
das nuvens feito a realidade que pode ser compreendida como o surdo
mover-se do solo em torno de si mesmo. Visto do alto, o chão se
transforma no abismo preenchido das fluidas formas esbranquiçadas em
texturas e reflexos de tarde, como em verdade já o é, e o céu
colapsa com a ausência de horizontes em uma amplitude devastadora e
inignorável. Daqui, movo-me tão depressa que tudo o mais
encontra-se estático. Não há ponto de partida ou de chegada quando
se está em suspensão, distante da Terra, em nenhum lugar. A
distância que se está instaurando cada vez mais longa, também é,
segundo por segundo, ou a cada traço desta poética, menos tempo até
que estejamos perto como se aproxima o mar dos pés afundados em suas
partículas de chão. Atravessei o portal de fumaça que me causou a
certeza de estar entre todas as direções. Ao erguer-me, apertei um
fio de seus cabelos que encontrei em mim, com as mãos e olhos
cerrados, e vi a presença de seu rosto, que me abraçou, ali,
naquele instante. São magos aqueles que confiam em suas mãos como
armas que podem construir. Com elas, podemos alcançar ao rosto do
outro desde o contínuo bombear, este fio condutor de profundezas,
como o mar, senhor do infinito, mãe de nossas fragilidades, casa de
todos nós.
(En
realidad es dificil explicar porque te siento aqui y como sé que voy
a construyer dias hasta su direccion. Yo queria hablar sobre los
magicos, estes, como nosotros, que son capaces de reubicar el espacio
solo con sus pasos. Mi razon es que ahora necesito mantenerme creendo
en esta fuerza adentro, la misma que me hace conjurarte para que no
me desespere con algo que sueña ya hecho, a
punto de hacerme extrañar el futuro,
pero que sabemos depender de nuestras volundades. La realidad cambia
y yo escribo para observar el cambiante en estas palavras mismas
mientras tornanse vivas. Escribo a vos porque me desnudo de la
verguenza y puedo admitir mi miedo. Con mis manos hablando directo al
respirar, a nuestro tiempo personal. Me estoy volvendo a la casa como
se fuera antes; pero el devenir ya esta en el sol llendose hasta el
otro lado, o descansando para
que la luna sea maestra del tiempo por la noche).
palavras-chave:
amor,
carta,
constatação,
devaneio,
devir,
escrita livre,
espanhol,
español,
existência,
inverno,
mar,
medo,
mistério,
noite,
processo,
prosa poética,
tempo
Notas del mar y otros viajes
La explosion sigue estes compasos
generados por el agua infinito; los siento en los reflejos de venas y
contornos del sol adentro mi piel que el inmenso abraza.
We are made of this ancient impulse,
and harder we shall shout our silences in their majestic power. They
carry across through our bodies and range our beats.
Esto me cuentó el mar y el abierto.
Também
existe um universo submergido, de seres que compreendem outra
respiração, que acompanha as correntes. Estar longe da terra e
perto do mar aproxima o coração do imenso pelo batimento ritmado
com os balanços desta força inapreensível. Essa mudança se dá
pela reconfiguração sutil dos fluidos corporais e energias
redirecionadas pelo vento. O resultado, ao vislumbre da plena
possibilidade, o berço e o túmulo, que gera a consequência de, é
a coragem para te dizer que o resto da minha vida me assombra, em
todas as direções que se deve direito, e que tenho desconhecimento,
mas que isso é abertura quando vejo a luz que sai dos seus olhos.
Encarei o infinito da solidão desconhecida, e ainda assim pude
encontrar a coragem para virar a água assombrosa, deixar que me
batizasse, recorrer a seus braços e sentir-me contemplada para dizer
de minhas vontades, num tempo arquetípico, no sorriso que dividimos,
mesmo solitários e temerosos das confissões, tomando cuidado para
não transformar nossas palavras em promessas. Quis ser dragada
quando o mar me mostrou o ínfimo e a força que desemboca deste
mistério. Mas estivemos lá juntos,
estamos aqui, e estamos dizendo nossas palavras com a mesma justiça
que desenvolve o sol para que o céu seja também a casa da lua.
Ambos se manifestam no azul, e assim é comigo e com você quando
dizemos que confiamos em quem estamos vendo, acariciando o seu rosto
confio em você, desde a manifestação crua e gentil em seus
batimentos.
Eu
sinto o desenrolar da sua pele como desmonta agora meu peito em total
entrega; enconsto-me sobre seus batimentos mesmo quando estou longe
de seus dedos convidando-me a permanecer. A certeza que tenho de uma
existência compartilhada perpassa estes olhos refletidos do calor,
entorpecidos pela certeza da lua em sua distância exata e sua
presença dentro de nós, simultaneamente, nas correntes que ditam as
ondas e conduzem nossos passos desde os furiosos corações. Às
majestosas imagens apreendidas e reveladas pelo olhar às sombras e
contornos, como as gaivotas cortando tamanho imenso desde a sua
naturalidade, eu sei desta mesma força pelo ritmo. Você é a
confiança do calor e de sua vida aprendo a respeitar o mistério da
gravidade como força.
palavras-chave:
água,
amor,
biografia,
carta,
escrita livre,
experiência,
feminino,
mar,
mistério,
natureza,
processo,
prosa poética,
rio de janeiro,
tempo,
viagem
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Outono III
a renovação da árvore
Da perspectiva que assumi ao encontrar-me vivendo as escolhas tateadas aquém dos calos nas mãos, agora vejo este espaço com a transmutação dos temporais em água bravia do horizonte. A expansão nos olhos para as extremidades não acompanha a infinitude por caminhar. Agora estou demonstrando o legítimo desmaio ao vislumbre do que é real. As reconfigurações requerem novos preparos. Sigo coletando o material de preparo, entre experiências cristalinas ao desterritório vivo onde sou lançada, há dias e meses para trás, além dos outros fugidios do escapismo, junto ao vazamento descontrolado dos limites hominídeos frente à impossibilidade de colecionar, aqui, pertencendo a este corredio tempo, da escrita, à face da palpabilidade. O desmantelamento da pele ardendo em descamação espalhara-se comigo, e eu revolvendo junto ao mar, por sobre um cavalo submergido, empunhando a espada dos olhos vigilantes. Seguia o peito aberto e os propósitos para cada instante fantasmal - a palavra que acontece e o novo não experienciado antes, o imprevisto, que traz as notícias do bordeado.
[deve ser por este motivo que levo chuva e duendes comigo; pelo coração sempre próximo às fertilidades, ao amor pelo crescimento dos cabelos e da intimidade. você comprova, a cada embalo novo do respirar, a existência do universo].
palavras-chave:
devaneio,
escrita livre,
experiência,
feminino,
mar,
mistério,
natureza,
processo,
prosa poética,
rio de janeiro,
tempo,
transformação,
viagem
Outono II
a renovação da árvore
Venho sentindo moverem-se as águas desde o virar das luas, o torpe giro do sol; estou submersa ao toque do raiar entre sóis e luas concomitantes. Ao deserdar o caminho de casa, onde se pode desaguar, o mecanismo elementar do ato em escolha por entregar-se ao caminhar, o descontrole desapropria-se, a todos os nomes se esquece e o caminho translúcido reaprende o respirar. Há que recordar-se do ato, e seguir por qual pisada? Aparecem aqui no papel delineadas as perguntas, o reencontro fracassado, a aparição do descaminho. A perspectiva lançada à necessária conclusão, o momento da chegada, extrapola o espelho. Não sei do que se tratam essas colocações frente ao exposto, à tempestade. Quando se espera pelo fim do precipitado, o infinito desague, sobem os raios, desviando a sensação de frescor. Por essa perspectiva, é preciso dizer, para além das sabedorias concebidas pelos sentidos. A possibilidade de dizer sempre outras coisas é o que opera em desanuviar o espaço e reconhecer o caminhar. A floresta é densa e o percurso se desconhece. Venho entrando em moradas, ao custo de um pé, movida pelas luas que viram o rio por baixo.
How are you feeling about love these days?
Deparo-me com a sensação inteira do próximo movimento. A ponta rente à pele transparente, gotejando blues pelas pareces da subida, ao som de borboazuletas inflamadas; ainda, o descontrole absoluto da pisada, trepidando pelas linhas, alvejando, aos gritos de confiança presente, a saída desde o casulo. Naquela tela pintada, e a nascente entre o bosque ao lado da casa - aqui, sobre as mesmas pedras - voávamos dentro do mato, do rio e do sol. Hoje estou frente às entranhas do legítimo crescimento, acompanho o desenvolvimento das plantas, desexplodindo a bifurcação. O tempo, cada segundo, suas repartições incalculáveis do reino do sutil escorrem quando fito o perdido nas fumaças. Encontro-me diante ao organismo que palpita e diz: às suas extremidades, sensíveis à passagem do vento, aos movimentos do coração, aos toques de longa mirada, confie quaisquer soluções. A sobrevivência está em seus pés e mãos.
Outono I
a renovação da árvore
O ar fresco que respiro para poder contar do que é real vem do grandioso vasto espaço, lá fora, desde o vácuo expansivo. O corpo orbital reconhece o ir-se aproximando, mas tateia o aberto em cada gesto. Desde o completo esvaziar nas mãos inerte, uma suspensão luminosa do tempo - aqui, onde parecem haver pés sobre a calmaria - busco relembrar o agora. Tudo dorme e o encontro ao papel consola da imensidão, abajo el cielo azul, conjurando a deusa desde o labirinto.
Nenhuma palavra pronunciada
Alcança o fundo deste coração
Que as deforma, esticando
Os limites do vislumbre.
Assustado o tempo,
Conjuro a passagem tranquila
Para um lado com sol e luz
Dos respirares uníssonos.
Escrevo para desemaranhar
As pontas dos teus olhos
Que miram a mesma lua
Recebendo o uivo da loba velha.
Assim vem o meu silêncio
Com as dobradiças ondeadas
Pela espera e o lançamento
Ao destinatário do outro lado.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Landscapes
Possibly, maybe
Love is all around
Bjork
Ao foco sentenciado
Pelas retinas em chamas
Escapa o espaço ao chão que ocupa.
(Suas imensas pernas esticadas
em direção à travessia
trafegando entre o rolar dos minérios
e o contrário das árvores).
À espera do mistério concebido
No útero daquele letreiro luminoso
Que dizia todo o resto,
Anunciou-se o encontro do
Tempo com o desembocar
No porto dos sinais:
Ali estavam todas as mensagens
Enviadas ao horizonte
Enquanto encarávamos nossa existência simultânea.
Ela era coroada, pois se
Sabia de seu destino a ser arruinado
Quando fosse impossível respirar.
A minha lucidez era tangível
Dentro da espiral em seu sopro,
Que nada parecia à imitação das outras coisas.
Todas as respostas estavam
No mar, onde moravam
Minhas penugens soltas.
Cavei uma terra fértil
Para enche-la com suas
Continuidades fora dela.
A seguir, as mãos suficientes
Para erguer um reino,
Abaixei os olhos para agradecer,
E tudo permanecia agressivo,
Vindo desde os outros
Lugares do sutil escapismo.
Eis que aparece aberto
O canal no centro do
Além -
E entrego o amor, inclusive,
Que existe deste âmago
Tanto quando o sangue existe para corar.
palavras-chave:
amor,
biografia,
constatação,
coragem,
devaneio,
devir,
existência,
mistério,
poema,
processo,
resoluções de fim de ano,
sonho,
tempo
Assinar:
Postagens (Atom)