what if a poem sounded like the falling rain
and could bring the secret of the water’s cicle
passagens e corredores longos pelos caminhos
um despejo que pinga pinga aquele som repetido
atravessando um monumento espatifado diante do mar
à meia luz diante do penhasco aberto no oceano.
dei um passo em direção ao centro
e agora sinto, durante a queda, os membros distendidos pela descida,
cores translúcidas atravessando um espaço líquido
e o tempo aos poucos deixando de existir.
durante a caminhada as mãos com a pele de cobra depelando pelos dedos
uma montanha de corais erguia a terra viva,
no centro da estrela no centro do peito
um gesto gravitacional numa dança ao contraste do sol no avesso,
movimentos já diluídos no acolhimento absoluto lá dentro.
eu sou a impossibilidade de cada percepção,
já de tudo um fragmento de tudo
memoriasinstantessonhos mas superintegrados, indissociáveis,
e as mãos incrédulas por sobre a boca
da matéria impossível do corpo improvável
no olho espiral entrando
neste portal às vistas na floresta de dentro.
um vislumbre da colisão entre nossas incontáveis partículas
um espelho na sala de espelhos do avesso no seu reflexo mostra o lado direito
do olho que vira do avesso cada sinal de luz.
uma oração e os raios já começam a lampejaar uma lavagem magnífica,
uma vela um canto
e a preparação para virar numa porta de galhos apontada para baixo
para o ventre do mundo de dentro.
uma voz melódica pela descida anunciava
a completa inundação
e as pedras brilhavam no altar que uma loba cheirava com tranquilidade.
o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.
Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens
sábado, 17 de dezembro de 2016
poison
palavras-chave:
bruxaria,
coragem,
corpo,
delírio,
devir,
escrita analógica,
existência,
memória,
mistério,
natureza,
nova poesia,
novos escritores,
oceano,
organismo,
percepção,
poema,
poesia,
sonho,
tempo,
transformação
THESE DAYS OF FOG
O engano da neblina cinza,
Pairando uma névoa,
O espaço diluído deste ritmo
Enterrado, a completa ausência
De vento pelos corredores.
Num redemunho de terra seca
O corpo encolhido se nutria
Da dor de sua presença.
Há uma força entre
As infinitudes da matéria
Que retorna à transformação
Cada detalhe impossível.
Meus olhos cheios de poeira,
Os dedos esticados
Dentro da cabana invisível
Para acender uma vela.
Pairando uma névoa,
O espaço diluído deste ritmo
Enterrado, a completa ausência
De vento pelos corredores.
Num redemunho de terra seca
O corpo encolhido se nutria
Da dor de sua presença.
Há uma força entre
As infinitudes da matéria
Que retorna à transformação
Cada detalhe impossível.
Meus olhos cheios de poeira,
Os dedos esticados
Dentro da cabana invisível
Para acender uma vela.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Dreambook
Era amplo e claro. Havia, ao redor, em estado de guarda do espaço, uma natureza firme, alta, caminhando em direção aos céus e cerceando o berço subterrâneo, pelos arredores contínuo. Nas proximidades da percepção, fundo fora, um pouco para as bordas do coração, erguia-se uma estrutura limpa, elementar, com madeiras simples e rígidas - uma casa aberta. Um terraço preenchido e vazado subsubia às nuvens. O azuléu amoroso convidava à luz para a sacada. Andando em direção a ela, eu seguida de mim que me observo, dou-me a sentir que estava em família, porque a convoquei e ela comigo, onde, na beira, abaixo havia água. As bases da estrutura repousavam sobre um verde camuflado por detrás da lente. Mas, aos olhos enraiarados, no vislumbre do recostar-se à frente, estávamos dentro de casa, acercando-nos, por meus dedos plenos, do mar, do rio embaixo do rio, os nossos vínculos profundos.
Ergueu-se, por sobre ramagens desconhecidas, o interior de um edifício vertical, vertido para cima. Dentro era estreito, uma composição de cômodos pontuais, cada qual à sua maneira acolhedor, e de escadas construídas à maneira de possibilitar passagens interseccionadas. Nós nos reuníamos quando retornávamos à casa para compartilhar o descanso. Não havia como dizer de onde morávamos, porque isso não importava. À noite vínhamos curar-nos, estar presentes como entrega a estes conhecimentos nossos. Tetos e intervenções suportavam os múltiplos espasmos, a inquietação do expansivo em nós. Dizíamos livres, porque queríamos responder ao outro inteiro. Nosso espaço nos devenia. Era dentro de nós, um e os outros comigo, vozes vivenciadas como as vivencia o universo, e ali era todo o mundo, até que acabasse.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Landscapes
Possibly, maybe
Love is all around
Bjork
Ao foco sentenciado
Pelas retinas em chamas
Escapa o espaço ao chão que ocupa.
(Suas imensas pernas esticadas
em direção à travessia
trafegando entre o rolar dos minérios
e o contrário das árvores).
À espera do mistério concebido
No útero daquele letreiro luminoso
Que dizia todo o resto,
Anunciou-se o encontro do
Tempo com o desembocar
No porto dos sinais:
Ali estavam todas as mensagens
Enviadas ao horizonte
Enquanto encarávamos nossa existência simultânea.
Ela era coroada, pois se
Sabia de seu destino a ser arruinado
Quando fosse impossível respirar.
A minha lucidez era tangível
Dentro da espiral em seu sopro,
Que nada parecia à imitação das outras coisas.
Todas as respostas estavam
No mar, onde moravam
Minhas penugens soltas.
Cavei uma terra fértil
Para enche-la com suas
Continuidades fora dela.
A seguir, as mãos suficientes
Para erguer um reino,
Abaixei os olhos para agradecer,
E tudo permanecia agressivo,
Vindo desde os outros
Lugares do sutil escapismo.
Eis que aparece aberto
O canal no centro do
Além -
E entrego o amor, inclusive,
Que existe deste âmago
Tanto quando o sangue existe para corar.
palavras-chave:
amor,
biografia,
constatação,
coragem,
devaneio,
devir,
existência,
mistério,
poema,
processo,
resoluções de fim de ano,
sonho,
tempo
sábado, 20 de dezembro de 2014
dilúvio
(Durante os longos tempos que tomou a reverência à lua em minha curta vida, senti desde o sangue magmático que latejava em meus órgãos a expulsão do que necessita ser presentificado. Estávamos reunidas em círculo para bendizer o dom da vida, homenageando-o com nossas vozes e mãos. Atrás da casa havia o desembocar de águas caindo à meia noite de sagitário. Apontamos nossas flechas enfeitadas com fitas brancas para a correnteza, que desmantelava nossos segredos persistindo no fluir. Todos os sonhos com a chuva desceram à terra úmida que puxava os pés para o fundo da derrocada, ao encontro dos musgos mergulhados na quietude do submundo. Cantamos de olhos voltados para dentro, amanhecendo as novas células do próximo instante, conjurando suas partes com a sabedoria do bombear, as veias abertas a todos os segundos explosivos que arrebentam-se no bater, e a certeza então vindoura, e sempre, de respirações conjuntas.)
A fumaça, não sei sabia se emanava da caneta que eu segurava, da respiração dos gatos, do sonar preenchido que ocupava o ambiente. Dentro de casa habitam os bichos, isso se sabe. É assombrosa a vontade que move os pés até acontecer o desenrolar da relva sobre a terra, e tudo ser novo. Aguardávamos com atenção ao dilúvio, reunidos, esperando que viesse nos encobrir para que subíssemos, nadando com os nossos membros e buracos do corpo.
Agora aqui põem-se satisfeitas
As anciãs que ataram os cadeados
Do silêncio entranhado em registros
Invisíveis do dizer.
A inteira camada segue costurando-se
Nesta entrega ao Destino de
Minhas mãos movidas a
Sussurros antigos.
De dentro da caverna reverbera
O rugido afora ricocheteia
A participação avulsa e real
Percorrendo estas cantigas.
E só assim, nesta prontidão
Fantasmática do instante
Que ocorre o impossível
Reproduzir dos sinais.
Nesta conjectura espiralada
Ao meu desejar ao bem-vir
Do dilúvio, reencubro-me
Viva, viva.
palavras-chave:
arquétipo da mulher selvagem,
coragem,
devir,
escrita livre,
existência,
feminino,
mistério,
mulher,
natureza,
noite,
organismo,
poema,
prosa poética,
sabedoria,
sonho,
tempo,
transformação
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
trajeto 1
Pelo princípio do desvelar contínuo ao território, permaneço escrevendo cartas desde o dilúvio, expandindo à continuidade a morada de nosso contato, pelos átomos que se abraçam, até o dia em que se azulear a borda do horizonte. Compadeci ao lembrar-me que, deste anterior, já contemplavam nereides da descoberta, e já revolvia a terra desde o amálgama do âmbar. Surgiram faíscas no formato do céu por entre a chuva refletida nas lagoas de cristais, no meio de uma árvore atravessada, e revelou-se a flor do apaixonado, dissolvida por tons azularroxeados em verde sagrado. O corpo resplandeceu para sua manifestação e quis colher das pedras seus fungos, um por um, enquanto eu concebia a paciência exercitada em nossas distâncias e crenças por sobre a realidade processual do movimento. Permaneço escrevendo para que permaneças espiral, e re-gire a participação nos trajetos do vento, nesses dias tomados pelo humor das folhas, por entre nós e tantas noites afirmando a vinda do sol. Na coragem do mergulho, sendo por dentro à água da porta aberta, esses raios trouxeram a graça do respirar em constante decisão ao convite de escrever-te. A travessia para o próximo momento veio com a cura do choque térmico, e registrei minha presença inteira em meio à confusão expansiva do espaço. Cantou conosco uma arara colorida de atmosfera, no topo do ar - um sonido pungente do céu à primeira comunicação para que descessem os raios do leque da mãe, iluminando o que se pode ver. Com o rugido anunciado pela torrente-que-cai, ao nosso vento liberto, corremos ao encontro de abrigo enquanto choram os que necessitam e circulam os lençóis que nos alimentam. Segui passo pelos lares que surgiram, certificando-me de cuidar da liberdade desenvolvida em nossa linguagem, que nunca soube dizer o que éramos. Quando o sol ressurgiu, segui e, agora, com esse presságio, escrevo isenta de necessidades, mas no poder de meus quereres, movendo-me demoradamente até você, só para, no meio do caminho, percorrer a todo o universo.
palavras-chave:
amor,
arquétipo da mulher selvagem,
carta,
coragem,
devir,
escrita livre,
existência,
experiência,
feminino,
inesperado,
mistério,
morte,
mulher,
natureza,
prosa poética,
sonho,
tempo,
viagem
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
luna llena
segurei essas mãos até que a caneta errou o papel e verteu em direção à boca, tamanha a fome de tinta azul e intoxicação por outra coisa que não a porta do elevador fechando, os espelhos sucumbindo a caretas tediosas no momento em que me encontram, as unhas delatando a derrocada falha ao processo dos pormenores, a mesma tinta da caneta arroxeando linhas de expressão, casca de árvore, fibrosas feito meu coração insistente em dar voz à vitalidade que me lembro quantas cartas de amor ainda estão por escrever, todas destinadas aos mesmos olhos e enviadas a desconhecidos na solidão de suas casas esperando até que morram de desgosto mastigados pelos próprios tecidos, dentre todas essas imagens que recortei a esmo na companhia de amigos inteligentes que revelam a realidade, pois me apegava às texturas da mesma maneira que faço nas noites à lembrança dessa loucura nas vísceras debaixo, encatatoneando o olhar para os seres de cima, todos os espelhos daquele encerramento como o mesmo infinito repaginado por si mesmo, e eu encontrando alimento num livro que deveria estar em outra língua passando por desejos súbitos de calma e contensão enquanto me doem os nervos da mão e os papeis caem e descubro formigas que não existem e sonho e desperto cheia de vontade de dançar com os gatos, explodir de felicidade e urgência, renomear cada uma das memórias, presentificar a saudade que sinto a daqui uns meses, quando se tornar insuportável consultar o passado nos oráculos e ver a permanência da confusão indecifrável para nenhum código possível esfaimada que fico no interior já ciente em incertezas disfarçadas por possibilidades que insistem em esmiuçar a coragem mas eu não deixo não porque preciso buscar o ar quando vem o tempo e a morte anunciada pela luz do farol no mar esverdeado pela respiração da terra e enternecido quando fecham os cílios dessa lembrança.
palavras-chave:
amor,
apaixonar-se,
devir,
escrita livre,
escrito na rua,
existência,
feminino,
memória,
morte,
mulher,
natureza,
noite,
organismo,
prosa poética,
sonho,
tempo,
transformação
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
flores
Hay
desajustado espacio en mi corazón,
aumenta y diminuye con
el espacio del tiempo
si me quedo lejos de mi casa,
ese cuerpo solemne que a todas las cosas quiere contestar,
como al sol que se muestra para hacer claro
todo el camino desde que llegue a este suelo rico y capaz.
Estoy escapando de las palabras desconocidas
asi que me siguen todos los dias
y los trazos de rostros
en mis sueños más reales que todas las memorias combinadas a las ganas en las vísceras
de ver esta gente esta ciudad llena de amor
y estranhamento, porque no conozco las
palabras que ahora diseño
y aventurome por un territorio con aspecto de abrazos y palabras deformes.
La mixtura de colores por las arboles en la primavera son
el alimento de una descubierta
del vacio y del lleno
cuando me recuerdo que la realidad es mi vida
y que los encuentros se pasan para que no me olvides
donde estube
en los descaminos ensiñando
la fragilidad de mi casa aqui y ahora.
aumenta y diminuye con
el espacio del tiempo
si me quedo lejos de mi casa,
ese cuerpo solemne que a todas las cosas quiere contestar,
como al sol que se muestra para hacer claro
todo el camino desde que llegue a este suelo rico y capaz.
Estoy escapando de las palabras desconocidas
asi que me siguen todos los dias
y los trazos de rostros
en mis sueños más reales que todas las memorias combinadas a las ganas en las vísceras
de ver esta gente esta ciudad llena de amor
y estranhamento, porque no conozco las
palabras que ahora diseño
y aventurome por un territorio con aspecto de abrazos y palabras deformes.
La mixtura de colores por las arboles en la primavera son
el alimento de una descubierta
del vacio y del lleno
cuando me recuerdo que la realidad es mi vida
y que los encuentros se pasan para que no me olvides
donde estube
en los descaminos ensiñando
la fragilidad de mi casa aqui y ahora.
(quis proteger minhas memórias quando tranquilizei-me nas possibilidades das novas terras serem anêmicas e vazias. era improvável que às afecções não fechasse a garganta para uma ruga na testa e choro sem lágrimas. lugares por onde nunca se pisou são solos inesperados, embora de loucura antevista, com o presságio daquilo que vem desconhecido, e se supõe desmerecido, não iniciado. todo caminho que se pisa é solitário, só há certeza no solo revolto, que evolui a novos buracos, cada vez, atingindo uma instância de movimento, desde a vida, os fluxos por dentro, líquidos corporais e lençóis de terra, abundância de descontrole, parto amanhecido, desdobramento para outro tempo).
Me quede muy apasionada con mi partida. No puedo
mirar mis ridiculas palabras en castellano, pero me importa mirar a las calles
y ver como todo me recuerda el tiempo, mi casa sobre los pies, y que ya extraño
a esa rara lengua, la riqueza de sus personas, los edificios y marcas en sus
ruínas, como me siento tan vieja volviendo al caos de esa existencia unica, que
por mil motivos nos muestra encuentros, muchas gracias, y, por supuesto, tanto
tanto amor. Hay mucha felicidad donde esta su corazón. No te olvides las luces,
las calles, las plazas, el viento, los nombres que tienen las cosas, como
llaman los espacios, el color del sol, aquellos ojos, todo que probastes, las
sequencias, el cariño, los nuevos amigos, los pajaros que cantan siempre, cada
esquina, los confrontos, el extraño, su suerte, los libros, el suelo y el olor.
No te olvides de tu soledad cuando recordar todo lo que tocastes, pero también
no te olvides del movimiento inevitable, en su cuerpo, en todo afuera, porque
ahora tienes más trazos, más historia y más coraje.
palavras-chave:
amor,
apaixonar-se,
buenos aires,
constatação,
coragem,
devaneio,
devir,
escrita livre,
espanhol,
español,
existência,
experiência,
feminino,
memória,
organismo,
sonho,
tempo,
transformação,
urbano,
viagem
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
about the exercise to find conciousness
às possibilidades (ao impossível)
fazem-se infindos movimentos
escolhidos pelo tempo
no espaço dilatante
de conjuntura singular.
neste traço,
acontecido devastador,
o segredo provém continuidade
à matéria.
fazem-se infindos movimentos
escolhidos pelo tempo
no espaço dilatante
de conjuntura singular.
neste traço,
acontecido devastador,
o segredo provém continuidade
à matéria.
As paredes erguidas afastavam o fora do dentro para que o ar instalado, desprovido de por-do-sol, sufocasse o desdito, na expressão transfigurada, ao homem que trancou as portas e proibiu que o cheiro das calçadas atrapalhasse sua transformação. Quando deixou claro que não havia portas, com os dentes arrebatados ao olhar, as pernas, decididas a respirar, percorreram todos os pedaços de chão entrecortados paredes sucumbindo ao teto esmagador. O descaminho inevitável jazia aos pés, excessivos pelos passos, e às mãos que esmurravam o concreto entre uma circunstância e outra, os cabelos desfaziam-se pelos escombros do coração, enjaulado, a cabeça de um lado ao outro, a boca mastigando o abafado, umedecido pelo suor e pelo choro. A vã manifestação do sofrimento redobrou o pisar, que ia decidido a encarar seus limites, o rosto impávido daquele homem por sobre lonas pretas, e exigir a verdade deste delírio, incumbir sua presença de poder, para fora, onde esperava antiga ferida, o buraco, ainda por cuidar, àquela mulher cujo útero era palco da vida, para que ao perdão houvesse continuidade.
À noite, quando já doía o peito renegado, por sob soturna luz que atravessava a parede, chegou um contorno familiar de sombra palpável, bioluminescente pelo centro, de onde um círculo verde esmeraldava fios de luz permissiva. O traço moveu-se em direção aos pés então repousados, pelo machucar de suas correntes, para que o seguissem pelos corredores. Desde o silêncio instaurado, caminharam, acompanhando a matéria negra à frente, quase integrada à escuridão ruidosa do isolamento. À finura com a qual surgia a realidade, naquele ponto verdejante, deu-se a ver uma abertura para um cômodo com janelas. Lá estava um contorno maior, preenchido por carnes do vácuo, onde brotam as estrelas do passado imemorial.
Quando saíram do labirinto, de imediato requereu-se respiração forte para suportar o que estava embaixo da janela. A inconsolável imensidão de águas próprias ao mar ou rios infinitos, revolvendo sob os pés, aos gritos daqueles dentro de casa. O redemunho convidava ao meio e ao fundo, prometendo ser morada daqueles rostos na lembrança, um sempre muito jovem, outro envelhecendo, entre as gargalhadas e as bolsas debaixo dos olhos. Sorvendo, escancaradas, as águas pertenceram-se fluindo, e assim o tempo findou para o seu reverso.
palavras-chave:
arquétipo da mulher selvagem,
coragem,
devir,
existência,
medo,
memória,
mistério,
morte,
mulher,
natureza,
naufrágio,
noite,
o nome,
organismo,
prosa poética,
sabedoria,
sonho,
tempo,
transformação
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Ressaca
Descobri Beirut antes de Capitu. Desvendei aquela onda, pedaço deslocado do mar, em que guardava-se choro antigo, desde o nascimento. Antes, quando ainda era menina atraída pela espionagem. Os buracos nos corpos das pessoas, as rugas dos bichos e a improvável combinação entre os sons das músicas que eu ouvia em casa. Foi nesta constelação que tudo gerou-se. No espaço dedicado aos sentidos que percebiam, e rápidas respostas ao outro que prostrava-se. A esta marca de cicatriz, que aqui aponto ao meio do tronco, observo desde a distância, no inversos dos inícios concretos, pelo filtro das águas, em vislumbre ao incessante esvaziamento. A este abismo que aqui aponto. Sua entrada, trespassável ao outro lado, não coletava ou discriminava, e o que eu via eram conhecidas formas à luz infinita. Descaminhei desde o momento em que houve caminho. Eu acreditava mais em meus pés e nos raios solares quando conversava com o vento. Isso que não mencionei era-me inseguro desde o mistério que restou, das furiosas possibilidades, nos olhos onduleantes. Assim, escolhi instrumentos, confiei na extensão do espaço, e parti. A todas as delicadezas porvir, fui provando-as constituintes do efêmero, que nos aponta à iminente morte, na importância do instante sem-fundo. Descobri a respiração cutânea quando quis-me pôr à prova, abdicando de sentido encubado, daqueles que a gente faz crescer à força. Todos os dias passei a dizer-me, enquanto encarava o silêncio deste rosto único, fragmento possível de toda carne, que esta memória servia para alcançar o outro lado do espelho, ao observar-se, sonolenta, o sangue entre os limites. Alguns dias, no entanto, forcei-me à mudez, que me tomava por outros dias mais, encarcerada, culpada às palavras, injustamente. Transfigurava a verdade toda vez que sempre frente ao escrito. Assim, o impreterível enlutamento pelo mundo, morrente – foi o que me disseram, e era o que eu via no refletido – chegava, todas as manhãs, quando, ao envelhecimento, via-me condenada aos suspiros do tempo e às distâncias refletoras.
palavras-chave:
carta,
constatação,
coragem,
escrita livre,
escrito na rua,
existência,
experiência,
feminino,
filosofia da linguagem,
mistério,
mulher,
natureza,
o nome,
polissemia,
prosa poética,
sonho,
tempo,
transformação
quarta-feira, 30 de abril de 2014
round and round and round
[right now it flows into mind something related to that girl with really big beautiful red hair and that handsome man who once touched my guitar, and i was playing like i meant it, the sounds and words just sliping out overcoming language because right now i feel like my fingers and this ink over white paper are creating something out of thin air just expanding all of us that were already existing together because this love can never leave us, it's inside of us. and growing.]
palavras-chave:
amor,
coragem,
devaneio,
devir,
escrita livre,
existência,
experiência,
frase,
inesperado,
inglês,
mistério,
música,
noite,
o nome,
organismo,
poema,
prosa poética,
resposta,
sonho,
viagem
A luta
Quando aquele momento a momento
Me escolheu
Descumpri a segurança do sentido
E atentei-me ao horizonte nestes olhos.
Devagar,
Transmutante o traço
Se pondo por-trás
À Irmã-Cinza da Sabedoria.
E esta pausa precisa
Reencontrou o criador
Que disse: vá embora,
Realize sua passagem.
Entardecendo às cores
Pôs-se o tempo
Concluindo aqui
E agora.
Me escolheu
Descumpri a segurança do sentido
E atentei-me ao horizonte nestes olhos.
Devagar,
Transmutante o traço
Se pondo por-trás
À Irmã-Cinza da Sabedoria.
E esta pausa precisa
Reencontrou o criador
Que disse: vá embora,
Realize sua passagem.
Entardecendo às cores
Pôs-se o tempo
Concluindo aqui
E agora.
palavras-chave:
devaneio,
devir,
escrita livre,
escrito na rua,
existência,
experiência,
inesperado,
mistério,
natureza,
noite,
poema,
sonho,
tempo,
transformação,
viagem
segunda-feira, 28 de abril de 2014
nostalghia e outros desamores
a fumaça trêmula em frágeis círculos, esvaindo-se à contra-luz, alcançando, no desfazer de sua existência, moradas de silêncio e reinos de chuva gelada. enquanto as pessoas acontecem lá fora, eu, de dentro do quarto, encaro os pés do menino, cujo corpo, estendido sobre o meu colchão, cheira à sombra de terra úmida.
beatriz bandeira
Eu, que de dentro da casa admiro o mover-se,
lentamente inalo o ar.
À cada uma de suas aparências nomeio suavemente,
o abafado, o recorrente, esse nome tão seu que derradeiro,
entregue ao mundo, secular.
O seu rio me causava espanto, e eu seguia acompanhando as bordas de longe para não cair por esta fundação. Os passos dados pelos meus pés não eram violentos, qual o fluxo destruidor do que gerava sua nascente. Dentro do meu rosto provia aquela água sua, vida, morte. E, um cigarro após o outro, eu queimava cinzas adentro minha verdade por dizer. Sonho último, última noite, por suas transbordas, irrompia de mim o grito inundado, último perdão, sangrava, em desespero. Pois eu não entendia a sua distância, as nossas diferenças de tamanho. Eu não entendia a ininterrupção desta existência. Era empurrada entre extremidades, para poupar-me, para que eu não fosse engolida. Bruto, terreno irregular, encontrei a mim mesma anos depois parada, pelos órgãos e membros, pelo ar inalado, parada no mesmo lugar remanejando suas bordas. Cuidava com cautela à terra fértil de suas unhas, às intempéries do espírito. Mas a ventania era inevitável, mesmo frente ao meu desgosto, posto que vinha para arrastar-me. Era real o que estava acontecendo. Quando abria os olhos, via luzes refletidas pelo chão, sentia frio, encontrava um livro, nesta ordem de procedimentos. E, então, quando procurava reerguer-me pelas paredes arrebatadas, tocando firme pelos apoios desmantelados de ontem, encontrava sempre o começo do dia, e o processo se repetia.
Este momento passou a me repetir, e repetia sempre que possível, para que eu tomasse vivência de meu tempo. Mas, alguma coisa naquela casa eu não podia lembrar-me, embora fosse a única que eu quisesse lembrar. O eterno jorrar, como se fosse. Eu tentava alcançar, para remendá-las, aquelas misteriosas luzes coloridas que povoavam o terraço da casa. Algo a respeito do instante não me permitia a lembrar, assim, não me deixando esquecer. Constante, eu seguia pelas bordas do rio, compelida a me afogar, desejosa por movimentar a corrente, saudosa de casa.
Este momento passou a me repetir, e repetia sempre que possível, para que eu tomasse vivência de meu tempo. Mas, alguma coisa naquela casa eu não podia lembrar-me, embora fosse a única que eu quisesse lembrar. O eterno jorrar, como se fosse. Eu tentava alcançar, para remendá-las, aquelas misteriosas luzes coloridas que povoavam o terraço da casa. Algo a respeito do instante não me permitia a lembrar, assim, não me deixando esquecer. Constante, eu seguia pelas bordas do rio, compelida a me afogar, desejosa por movimentar a corrente, saudosa de casa.
palavras-chave:
amor,
Beatriz Bandeira,
biografia,
existência,
experiência,
feminino,
medo,
memória,
mistério,
morte,
mulher,
natureza,
parceria,
poema,
prosa poética,
sonho,
tempo,
transformação
sexta-feira, 11 de abril de 2014
entre 4h40 e 5h
[prelúdio a escritos destroçados]
estava demorando-me para perceber a chegada das baixas luzes ao escutar você dizendo algumas palavras entrecortando ruídos. a água que caía sobre você lembrou-me aquele momento reservado ao escorrer. uma segunda voz, a cadeira macia com seus tecidos floridos acolhendo-me enquanto eu bebia chá. cães latindo, diferentes distâncias percorrendo. ansiosa frente ao movimento do silêncio, eu esperava em cada detalhe. e então, todo o silênciossussurrando as ruas pelas bordas nos pés dos outros, todo ele abriu espaços buracos que chamavam no instante em que resolvi ir. o sol convidava para dentro e vir tomar café tostado, queria caminhares do lado de fora por sob sua experiência ótica para entretenimento. ali, andava sempre em direção ao eterno com a veracidade da fuga. os ciclos existiam completos na efemeridade daquilo tão inteiro, o mistério do bilhete e das compras roubadas, pelas pequenas marcas de tinta nas telas de van gogh. a lua estava começando a descer (e esmagar o meu amor). logo, tão cedo, o traço do rosto é memorificado, para, então, restar-me um pedaço de papel destroçado em cartas de despedida – eu não sabia para onde mover-me, encontrar-lhe, descobrir onde está, comigo, aquela moldura frágil, fogo, os olhos castanhos, esvaziando nenhum lugar. estive desolada.
palavras-chave:
amor,
devaneio,
devir,
escrita livre,
experiência,
memória,
mistério,
noite,
polissemia,
prosa poética,
sonho,
transformação,
viagem
nossa existência
[escritos destroçados com o tempo, abril de 2014]
quando a pele esfria por baixo dos caminhos ensolarados, necessita-se pausas dentre ruas, uma esquina que te encontra frente ao desespero enérgico gerado pelos sons dos raios, luzes mal acostumadas, pobres de gente, abandonadas desde a infância. os olhos semicerrados erguidos para o teto de toda fraqueza embebida, filtrando cores em branco-caído, poros desempedidos, boca sentido gosto de peças desencaixadas e a sinceridade emergindo nos rostos aos poucos avermelhando-se. o instante de carinho doado por existir este corpo de gente em traço no dia em que se escolhe o afeto, a luz transfigurada, mãos dadas com o vento.
[francis, há muito vejo o vento e é inteiro, todo entre-dedos, entre sorrisos e cada singelo ser no momento do sorrir me toca em cheio antes de dormir. e penso em ti, azul, vermelho sangue, amarelo olhar em corpo fundido invisível no querer sempre resposta e peso de dor. estou aqui. estou aqui vendo tanta lua por entre esses cabelos desalinhados, por passos desejosos de caminhos tantos e descaminhos mais que nos cruzam e não nos repartem, porque nossos fragmentos já se são. esse carinho nascido desde a vida nos constrói células braços e pernas socorrendo-se. meu coração dói e agradece.]
tanto descaminho desconstrói nosso abandono
nossa liberdade pertence a estas mãos
devo libertar esta figura de minha lembrança para permitir fluidez ao transformar ininterrupto. devo aceitar cada passagem de tempo aos longos dias fatídicos e permitir-me o esquecimento às tuas distantes palavras transparentes, felizes, silenciosas. devo dissolver o rosto nesta imagem concreta aqui há dois palmos gritando e negligenciando tua viva sensação.
e quando percebo tua iminente partida todo suspiro já é, memória; a loucura desta meia-vida sonhada, por jovem toque, fino aos dedos docemente empenhados a encontrar-te, semi-luz, horas poucas, instantes amedrontados. já passou por mim o distante rosto de voz e caminhar a passos pés livres e em verdade. deixou-me tranquilamente, confortável por esvaziar a presença, transformar escorre-tempo pela abertura deste rio que me atravessava. sentirei saudade quando lembrar-me que, ali, podia deitar a cabeça naquele peito desconhecido, para então recuperar o espírito viajante, víscera que não cessa de sufocar; ainda assim, não o fazia, tinha medo do meu corpo movendo-se para fora, receio de assustar arrepio, por afeto, querendo estar perto, mas longe ao momento da despedida, terminada nesta mesma pequena carta que você me entregava às pressas, não querendo-me olhar o rosto infeliz, tremendo de acontecimento, sem fé, para nunca mais observar carinhosamente tua consistência. assim o resto aparecia nesta parte fria, oca, mesmo quando gritava com os outros membros, e mesmo com tuas cautelosas manifestações de bem-querer. life goes on for all the daytrippers.
then, seatted with your eyes hurting, you hear this ancient song, coming through your left ear and pulling down the feeling of walking alone and loving the lost. when a scream rises, you hear a new instrument and a familiar voice. and that keeps on coming 'till you have no choice but to fell in love with the moment and pretend you can't see the hearts of ghosts.
espero verte pronto,
palavras-chave:
apaixonar-se,
carta,
coragem,
danna,
devir,
existência,
experiência,
feminino,
inesperado,
inglês,
memória,
mistério,
música,
parceria,
prosa poética,
são paulo,
sonho,
tempo,
transformação,
viagem
segunda-feira, 24 de março de 2014
arruinando
estávamos deitados ao cair da noite, embalados por sono mal aproveitado e entregues ao conforto desta cama velha, as histórias ao redor, em livros, pequenos objetos vivos, fotografias e alguns discos que eu não tenho o hábito de ouvir. você respirava fundo e eu não conseguia tranquilizar-me comigo para abrir o vão, criar coisa nova com cheiro de antiga, passar tempo na conhecida cidade espaçada em outro lugar, espalhado pelo corpo. quando afastei necessidades tolas e projetos fracassados, o instante vazio, pretendendo um sonho, foi preenchido pela vontade secreta das memórias. lembrei-me daquele sofá numa configuração outra, luz amarelada, a jovem madrugada convidativa, inúmeras xícaras de café, e pude sentir o cansaço enganando meu sangue que corria, como se antes não fosse tempo longínquo, rosto amado, distância inevitável dos instantes. mas eu havia escolhido, no desconsolo de jamais esperar por dizer o que me saltava aos olhos, meditar o momento agora, que estava acontecendo. todos os braços carinhosos fazem ausência quando só existe retornar a esta casa de mentiras. foi aí que, na tentativa de acompanhar sua respiração, bem de perto, a sensação familiar de toque-entre-vidas, a pequena deitada sutilmente sobre meus pés para abençoar o caminho com a sabedoria da lua, eis a erupção dos traços, matéria das palavras. eu não queria me mexer para aprender com a passagem. então, foi-me saindo pelas costas uma memória vermelha e fluida, com jeito de gente e um sorriso que eu sempre conhecia. ela deitou-se no espaço vazio da cama e, ao meu breve desespero por tocá-la, virou fantasma, atravessável, que me encarava, e foi sumindo... sem saber como suportar o resto da vida, abri os olhos para ver o vago próximo acontecimento, que nunca chegaria, que promete a continuidade para compreender qualquer importância desalegre, em presença, de dentro de mim.
palavras-chave:
amor,
carta,
constatação,
devaneio,
devir,
escrita livre,
experiência,
feminino,
memória,
mistério,
noite,
organismo,
prosa poética,
resposta,
sonho,
tempo
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
A fita
O começo era a fita mesmo que antes houvesse gente. Desabrigada, sem teto sem casa feito passarinho azul pequeno fraco esfarelento, abandonado. Nada que houvesse nos armários servia para a verdade, não havia alimento para sinceridade exceto a carcaça triste de si mesmo, puro, indefeso. E os espectros habitavam a casa como macarrão velho na gaveta dos fósforos. O dia surgia numa casa livre de gente viva de vida entre os cabelos e o chão. Cada menino que encobria o desespero não ganhava para si as rédeas da máquina. Então um homem falava falou dentro do sol corrido falava como quem é pago, que ganha e esbanja não conta mente homem que dizia poder mostrar. E cada parte pertencia à outra feito filho inato surgido de seus ancestrais. A fita veio em sonho por debaixo dos olhos. E nela havia lembrança de fiapo de ar de coisa empoeirada. E nela havia algo de vida de veia com sangue e pulso e bombear. Enfim desperta, corri sobre o horizonte do frio em cada pedra montanha em lago e distância até desabar cair, joelho sobre terra. O rosto dela desenhado tantas e tantas tantas vezes, as pupilas pretas, a boca firme demais, orelhas no lugar errado. E o pai acusado dentro dela como dias proibidos, futuro que já se foi nunca virá. O amigo então veio e gritou com a surpresa daquele que chega. E as lágrimas dela rolaram por cima do amigo, dos braços pernas do dia da fome da cara, de toda parte. A mão colocou a fita, desenrolou, gravou os lamentos nos dedos que escorriam verdes, sofridos, e ela percebia em cada palavra o surgimento desenrolar da fita, concreta, aquela, a fita da Memória.
palavras-chave:
apaixonar-se,
devir,
escrita livre,
existência,
experiência,
fé,
feminino,
memória,
mistério,
natureza,
noite,
prosa poética,
sabedoria,
sonho,
tempo,
transformação
terça-feira, 22 de maio de 2012
A fuga do nome
(É verdade
Cor dissolve, soar de folha
Segundo acaba névoa, natural
Funciona terra
Nada é sem querer
Necessidade sincera
Sem medo de água
Bater em pedra
Sem esforço de dor, mas harmonia
De cuidado e risco
Sem fugir, esconder,
Mas soltar o cabelo pra mato
E voz.
Ar é bicho
De pegar pulso
Não com a cabeça no muro)
De perceber fim é que caminha o outro
Quando suspiro, no espaço da cor, a agonia de calma é perdição
Alhures em luz, meta-amorfose, em branconegro, som
O por-fora em escuro-sonho do espírito áspero ao mover
(O infinito é a surpresa do fim)
Que acontecer é todo vento sem querer devir-se.
Cor dissolve, soar de folha
Segundo acaba névoa, natural
Funciona terra
Nada é sem querer
Necessidade sincera
Sem medo de água
Bater em pedra
Sem esforço de dor, mas harmonia
De cuidado e risco
Sem fugir, esconder,
Mas soltar o cabelo pra mato
E voz.
Ar é bicho
De pegar pulso
Não com a cabeça no muro)
De perceber fim é que caminha o outro
Quando suspiro, no espaço da cor, a agonia de calma é perdição
Alhures em luz, meta-amorfose, em branconegro, som
O por-fora em escuro-sonho do espírito áspero ao mover
(O infinito é a surpresa do fim)
Que acontecer é todo vento sem querer devir-se.
palavras-chave:
constatação,
devaneio,
devir,
existência,
experiência,
memória,
mistério,
poema,
polissemia,
sabedoria,
sonho,
tempo,
transformação
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Old and Young
Como pode a branquidão dos olhos perdidos em bosque de lírios mortos encontrar chuva e terra para pisar? Noite é sonho que suga feito arrancar pele e segurar sangue por dentro no momento de sujar.
Quando metade se confunde no fim é que criança tem pesadelo e sossego não chega pela manhã. Só quando passarinho aparece é que acordar vira menor tormento que vontade de ver o dia. Daí não chega lembrança tantas vezes coberta de cílios fechados, que é pra dor e acalma só uma vez, tudo quando passa brisa e frio, tudo quando o dia explode em lua. Espelho de todo dia é o mesmo rosto, mas que muda de cor, se transparente. No silêncio, morada do distúrbio, das falhas e espaços nus, é que vive o mundo. Assim que desanda, a negação do sim vira verdade.
É em forma que meu amor vira meu e carinho vira água corrente. Todo dia quando chega a luz vem a coragem de ficar entre, onde olho é feito bolha e coração é de remendos. Solidão é estado natural em cuidado com o rio, dono do frágil, responsável pelo sono do sol. De entender abraço em piscadela, avalanche por dedos em toque, alma de azul em passos leves.
Quando chega o movimento, é acontecimento que reverbera feito palavra entre.
palavras-chave:
amor,
coragem,
devaneio,
devir,
escrita livre,
existência,
experiência,
fé,
mistério,
natureza,
o nome,
poema,
polissemia,
sonho,
tempo,
transformação
Assinar:
Postagens (Atom)