o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.
Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

seca pt 1


equinócio de primavera: súplicas

[sabia que havia esperando ao longo de toda esta vida durante as delongas dos mesmos tempos infinitos que ressoaram baixo à medida que me lembrava
os espaçados sons reverberavam para todos os instantes até aqui, a oportunidade irremediável para onde desaguam todas as escolhas desde o anterior nascimento, que já então vislumbravam essas palavras, desatolando-me às tantas experiências de quando pude antever a terra já acontecida, os acidentes sempre já soando ao limite pelo movimento ininterrupto dessas mesmas palavras já antes muito muito antes para sempre reescritas e rearranjadas novas outras, por mim, frente à extensão do som
que à gaguejante potência não se faça só ode pelo pensamento da linguagem que se constrói sabedoria, mas ao descontrole pela compreensão, o traço pelo traço, os movimentos estendidos dos dedos sobre a pele os olhos frente aos quais o sentido falha em acessar este segredo de abismo, mas ao qual se percebe diante do compartilhar, já que não posso existir isenta ao grito que urra desde o primeiro alambique, pelos olhos
o furioso desaguar desimpedido horrorizado pelo instante submerso às entranhas atravessando-se para expulsar o acúmulo do aumento pela desintegração que não cabe ao que solidifica inteiro desvio de propósito à totalidade
estas palavras esvaziando-se para que nunca morram, desde o toque apaixonado pela descoberta
desde o vislumbre pela destruição da necessidade à verossimilhança enrugada, um sopro de ar ou silêncio por entre os acordes, uma direção aberta, tantas mãos, e o que se faz, pelo que se é
frente ao incomensurável desdobrar desta envergadura, no solo, nos entres, entranhas aparecidas pelo contemplativo agradecer, renascido pelos segundos triturados em distensão
desde todas as medidas desmentidas pela verdade escorrendo veredas
porque sim].

quarta-feira, 30 de abril de 2014

round and round and round

[right now it flows into mind something related to that girl with really big beautiful red hair and that handsome man who once touched my guitar, and i was playing like i meant it, the sounds and words just sliping out overcoming language because right now i feel like my fingers and this ink over white paper are creating something out of thin air just expanding all of us that were already existing together because this love can never leave us, it's inside of us. and growing.]

sexta-feira, 11 de abril de 2014

nossa existência

[escritos destroçados com o tempo, abril de 2014]


quando a pele esfria por baixo dos caminhos ensolarados, necessita-se pausas dentre ruas, uma esquina que te encontra frente ao desespero enérgico gerado pelos sons dos raios, luzes mal acostumadas, pobres de gente, abandonadas desde a infância. os olhos semicerrados erguidos para o teto de toda fraqueza embebida, filtrando cores em branco-caído, poros desempedidos, boca sentido gosto de peças desencaixadas e a sinceridade emergindo nos rostos aos poucos avermelhando-se. o instante de carinho doado por existir este corpo de gente em traço no dia em que se escolhe o afeto, a luz transfigurada, mãos dadas com o vento.


[francis, há muito vejo o vento e é inteiro, todo entre-dedos, entre sorrisos e cada singelo ser no momento do sorrir me toca em cheio antes de dormir. e penso em ti, azul, vermelho sangue, amarelo olhar em corpo fundido invisível no querer sempre resposta e peso de dor. estou aqui. estou aqui vendo tanta lua por entre esses cabelos desalinhados, por passos desejosos de caminhos tantos e descaminhos mais que nos cruzam e não nos repartem, porque nossos fragmentos já se são. esse carinho nascido desde a vida nos constrói células braços e pernas socorrendo-se. meu coração dói e agradece.]

tanto descaminho desconstrói nosso abandono
nossa liberdade pertence a estas mãos


devo libertar esta figura de minha lembrança para permitir fluidez ao transformar ininterrupto. devo aceitar cada passagem de tempo aos longos dias fatídicos e permitir-me o esquecimento às tuas distantes palavras transparentes, felizes, silenciosas. devo dissolver o rosto nesta imagem concreta aqui há dois palmos gritando e negligenciando tua viva sensação.


e quando percebo tua iminente partida todo suspiro já é, memória; a loucura desta meia-vida sonhada, por jovem toque, fino aos dedos docemente empenhados a encontrar-te, semi-luz, horas poucas, instantes amedrontados. já passou por mim o distante rosto de voz e caminhar a passos pés livres e em verdade. deixou-me tranquilamente, confortável por esvaziar a presença, transformar escorre-tempo pela abertura deste rio que me atravessava. sentirei saudade quando lembrar-me que, ali, podia deitar a cabeça naquele peito desconhecido, para então recuperar o espírito viajante, víscera que não cessa de sufocar; ainda assim, não o fazia, tinha medo do meu corpo movendo-se para fora, receio de assustar arrepio, por afeto, querendo estar perto, mas longe ao momento da despedida, terminada nesta mesma pequena carta que você me entregava às pressas, não querendo-me olhar o rosto infeliz, tremendo de acontecimento, sem fé, para nunca mais observar carinhosamente tua consistência. assim o resto aparecia nesta parte fria, oca, mesmo quando gritava com os outros membros, e mesmo com tuas cautelosas manifestações de bem-querer. life goes on for all the daytrippers. 

then, seatted with your eyes hurting, you hear this ancient song, coming through your left ear and pulling down the feeling of walking alone and loving the lost. when a scream rises, you hear a new instrument and a familiar voice. and that keeps on coming 'till you have no choice but to fell in love with the moment and pretend you can't see the hearts of ghosts. 

espero verte pronto,




quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Oceano - 4tuna edit

[NOVIDADE]

Tive o privilégio de  formar parceria com um grande amigo DJ, Renato Rocha Lima, que fez a mixagem de um texto meu (Oceano) pra nós, e vai tocá-la como abertura do Festival Zuvuya, previsto para ocorrer no início do mês de março.

Confiram:

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Branco

O movimento por preencher o céu
é eterno
branco-pérola as gotas d'água nunca se são,
mas ao azul de líquida forma.

Cada piscar é um risco
que a sutileza do caminhar
como trago devagar e constante
não deixa vestígios do passado.

O instante
é a coisa ela mesma
em sua memória, com a origem do Mundo
de chuvas e destruição.

A nuvem se dissolve, então,
em invisível motivo de vida
para ser com as partes primordiais
o dia
e o retorno.