o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.
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sábado, 17 de dezembro de 2016

ALONE IN A RAINING ISLAND

Ouve-se a voz do silêncio.
As palavras estão engasgadas numa espiral
No reverso da ética do perdão.
Eles dizem que a realidade é relativa
Mas está chovendo na estranha ilha
Devastada pelos caules das plantas.
Os corpos estão desaparecendo
Pelas estruturas nos buracos dos vermes.

WHAT DO YOU DO WITH HATE

Uma respiração no estado dissociativo.
Essa raiva não é genuína,
Mas é legítima a visão da rosa,
Redemunhos das lágrimas pendendo pelas cabeças.
Um corpo anulado. O choque de um disparo.
Porque só o rio conhece a inundação.
O grito misógino da autoridade,
Com as mãos para segurar a vida
Do outro corpo livre.
Escape da prisão!
Antivida antifluir
Qual é o plano? Qual?
As fendas da Terra estão abertas
Sangrando as palavras desmerecidas.
I misplaced myself
I was unsure
I embraced silence
I looked under the bed
I was nowhere
I wrote to a friend
I lost a call
I was looking inside my organs
I was empty
I had no face
I was a blur
I became nostalgia
I shattered the universe
I colapsed into time
I was responseless
I lost track
I had no shadow
I misplaced the sun.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Leaves

Here we go again. I remember this moment while interrupted by a happiness that can only be seen when a color is honored on its greatness. I watch a little plant receiving a caring lash of clean water bellow a warm light crossing the horizon. These clouds dawned by a soft wind, I can remember from another bench, sat in a reverse glance, so that I could stare at a daily star illuminating such immense creatures. We come here to find life’s simplest form, a continue growing of love reflected on the leaves. It has been a while, but I can still find myself in love, for all that matters. The vivid grass roars a beautiful silence. And, now, I become a part of that.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Notas del mar y otros viajes

La explosion sigue estes compasos generados por el agua infinito; los siento en los reflejos de venas y contornos del sol adentro mi piel que el inmenso abraza.
We are made of this ancient impulse, and harder we shall shout our silences in their majestic power. They carry across through our bodies and range our beats.
Esto me cuentó el mar y el abierto.


Também existe um universo submergido, de seres que compreendem outra respiração, que acompanha as correntes. Estar longe da terra e perto do mar aproxima o coração do imenso pelo batimento ritmado com os balanços desta força inapreensível. Essa mudança se dá pela reconfiguração sutil dos fluidos corporais e energias redirecionadas pelo vento. O resultado, ao vislumbre da plena possibilidade, o berço e o túmulo, que gera a consequência de, é a coragem para te dizer que o resto da minha vida me assombra, em todas as direções que se deve direito, e que tenho desconhecimento, mas que isso é abertura quando vejo a luz que sai dos seus olhos. Encarei o infinito da solidão desconhecida, e ainda assim pude encontrar a coragem para virar a água assombrosa, deixar que me batizasse, recorrer a seus braços e sentir-me contemplada para dizer de minhas vontades, num tempo arquetípico, no sorriso que dividimos, mesmo solitários e temerosos das confissões, tomando cuidado para não transformar nossas palavras em promessas. Quis ser dragada quando o mar me mostrou o ínfimo e a força que desemboca deste mistério. Mas estivemos lá juntos, estamos aqui, e estamos dizendo nossas palavras com a mesma justiça que desenvolve o sol para que o céu seja também a casa da lua. Ambos se manifestam no azul, e assim é comigo e com você quando dizemos que confiamos em quem estamos vendo, acariciando o seu rosto confio em você, desde a manifestação crua e gentil em seus batimentos.

Eu sinto o desenrolar da sua pele como desmonta agora meu peito em total entrega; enconsto-me sobre seus batimentos mesmo quando estou longe de seus dedos convidando-me a permanecer. A certeza que tenho de uma existência compartilhada perpassa estes olhos refletidos do calor, entorpecidos pela certeza da lua em sua distância exata e sua presença dentro de nós, simultaneamente, nas correntes que ditam as ondas e conduzem nossos passos desde os furiosos corações. Às majestosas imagens apreendidas e reveladas pelo olhar às sombras e contornos, como as gaivotas cortando tamanho imenso desde a sua naturalidade, eu sei desta mesma força pelo ritmo. Você é a confiança do calor e de sua vida aprendo a respeitar o mistério da gravidade como força.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Landscapes

Possibly, maybe
Love is all around
Bjork


Ao foco sentenciado
Pelas retinas em chamas
Escapa o espaço ao chão que ocupa.

(Suas imensas pernas esticadas
em direção à travessia
trafegando entre o rolar dos minérios
e o contrário das árvores).

À espera do mistério concebido
No útero daquele letreiro luminoso
Que dizia todo o resto,

Anunciou-se o encontro do
Tempo com o desembocar
No porto dos sinais:

Ali estavam todas as mensagens
Enviadas ao horizonte
Enquanto encarávamos nossa existência simultânea.

Ela era coroada, pois se
Sabia de seu destino a ser arruinado
Quando fosse impossível respirar.

A minha lucidez era tangível
Dentro da espiral em seu sopro,
Que nada parecia à imitação das outras coisas.

Todas as respostas estavam
No mar, onde moravam
Minhas penugens soltas.

Cavei uma terra fértil
Para enche-la com suas
Continuidades fora dela.

A seguir, as mãos suficientes
Para erguer um reino,
Abaixei os olhos para agradecer,

E tudo permanecia agressivo,
Vindo desde os outros
Lugares do sutil escapismo.

Eis que aparece aberto
O canal no centro do
Além -

E entrego o amor, inclusive,
Que existe deste âmago
Tanto quando o sangue existe para corar.



segunda-feira, 28 de abril de 2014

nostalghia e outros desamores

a fumaça trêmula em frágeis círculos, esvaindo-se à contra-luz, alcançando, no desfazer de sua existência, moradas de silêncio e reinos de chuva gelada. enquanto as pessoas acontecem lá fora, eu, de dentro do quarto, encaro os pés do menino, cujo corpo, estendido sobre o meu colchão, cheira à sombra de terra úmida.

beatriz bandeira


Eu, que de dentro da casa admiro o mover-se, 
lentamente inalo o ar. 
À cada uma de suas aparências nomeio suavemente, 
o abafado, o recorrente, esse nome tão seu que derradeiro, 
entregue ao mundo, secular. 

O seu rio me causava espanto, e eu seguia acompanhando as bordas de longe para não cair por esta fundação. Os passos dados pelos meus pés não eram violentos, qual o fluxo destruidor do que gerava sua nascente. Dentro do meu rosto provia aquela água sua, vida, morte. E, um cigarro após o outro, eu queimava cinzas adentro minha verdade por dizer. Sonho último, última noite, por suas transbordas, irrompia de mim o grito inundado, último perdão, sangrava, em desespero. Pois eu não entendia a sua distância, as nossas diferenças de tamanho. Eu não entendia a ininterrupção desta existência. Era empurrada entre extremidades, para poupar-me, para que eu não fosse engolida. Bruto, terreno irregular, encontrei a mim mesma anos depois parada, pelos órgãos e membros, pelo ar inalado, parada no mesmo lugar remanejando suas bordas. Cuidava com cautela à terra fértil de suas unhas, às intempéries do espírito. Mas a ventania era inevitável, mesmo frente ao meu desgosto, posto que vinha para arrastar-me. Era real o que estava acontecendo. Quando abria os olhos, via luzes refletidas pelo chão, sentia frio, encontrava um livro, nesta ordem de procedimentos. E, então, quando procurava reerguer-me pelas paredes arrebatadas, tocando firme pelos apoios desmantelados de ontem, encontrava sempre o começo do dia, e o processo se repetia.


Este momento passou a me repetir, e repetia sempre que possível, para que eu tomasse vivência de meu tempo. Mas, alguma coisa naquela casa eu não podia lembrar-me, embora fosse a única que eu quisesse lembrar. O eterno jorrar, como se fosse. Eu tentava alcançar, para remendá-las, aquelas misteriosas luzes coloridas que povoavam o terraço da casa. Algo a respeito do instante não me permitia a lembrar, assim, não me deixando esquecer. Constante, eu seguia pelas bordas do rio, compelida a me afogar, desejosa por movimentar a corrente, saudosa de casa.



sexta-feira, 12 de abril de 2013

Do nascimento

(Biografia, parte 1)

Os caramujos dos cabelos vieram em inconstante ventania de fim de tarde, quando todas as coisas viram luz. Não há olhos com mais miudezas infinitas que estes olhos nascidos do buraco do mar, onde há terra solta e os bichos se escondem. O sorriso doce comporta palavras ditas em segredo, explosivas pelo caminho natural destes pés. Ela é filha de sereia mitológica com mago dissolvido, e existe por todos os lugares. Todos os sentidos do mundo remetem a seu abismo, aberto e invisível pela altura do peito, de onde brotam os eternos cordões tangíveis.