Logo percorremos uma parte da terra e não nos damos conta. Cada passo para nós é uma cachoeira de constantes estelares correndo no reverso do caminho. Nossos pés ainda escapam às calçadas férteis, envolvidas pelo úmido dos olhos de estranhos. Nossas cabeças revolvendo o relento inesperado das linhas de trem, os gestos tímidos e poderosos ensinando-nos a usar nossas vozes. Paramos para observar nossas decisões. Cada esquina é um universo aberto à imensidão, que nos toma os sentidos desde que estamos de pé. Estamos fazendo dos sorrisos navios para entregar-nos à selvageria do mar aberto. Nas luzes das noites tardias conspira um destino invisível. Com as mãos armadas uma na outra, respiramos a configuração dos subúrbios e os nomes das ruas que lutam para não desaparecer.
o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
when you say you remember me from another life, i know that you are
actually feeling something at the right now; we are such a huge
reflection it pushes you ahead, projecting your heart, your blood and
bones into the spaces occupied by a glance. your forgotten existences
gets justified by your imense expansive recognition, a wisdom so deeply
felt and so old it ages the moment with our crossed looks, and it makes
you wanna say impossible words like forever.
lets admit how it launches us into the opening perception, an infinite mirror-travel - this window.
this possibility gets our hands to became all the hands we need on those two unique pair.
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Eu, delicado mar
Eu, delicado mar
A percorrer silêncios;
Um absorver muito
Sentido, ele sempre
Presente, tudo aqui.
Nosso escuro definido,
Querer sentir o meu
Mundo, não saber.
A compreensão:
Tu, processo, ausência;
Absurdo-te, calmo,
Em jamais vivência
Contida - Dá-se
A percepção dos teus olhos.
A percorrer silêncios;
Um absorver muito
Sentido, ele sempre
Presente, tudo aqui.
Nosso escuro definido,
Querer sentir o meu
Mundo, não saber.
A compreensão:
Tu, processo, ausência;
Absurdo-te, calmo,
Em jamais vivência
Contida - Dá-se
A percepção dos teus olhos.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Quedate Luna
relatos do mar
Apesar dos ruídos vindos das bocas e olhos que dão à areia seus caminhos, a infinitude quebra na orla e dá mover-se aos pássaros planando no espelho. Pode-se ouvir o quebrar, as águas furiosas redobrando-se em nuvens. Era um momento só com o mar o contemplar o infinito e a força do submundo, mas me sentia sozinha como consequência das presenças desconhecidas e da observação entre o bambu e o carvalho.
Existe outro lado. Isso sei. Existe presença ausente? Existe mais gente, ou menos gente?
A cada novo tijolo sinto-me só, mas não contra o mar e o céu, que contornam a distância. É o tecer por entre ambos, onde tudo precisa ser real, estar relacionado ao bombear. O carvalho, ou o bambu?
Quem mora no mar conversa com todas as árvores quando fica em silêncio. Quem encontra-se com o som debaixo da terra, vê o murmúrio que traz o marejar de todos os lugares. Das pessoas aqui, a linguagem só responde às águas, para dizer-lhes que aguarda todas as luas (uma para cada coisa). Na chegada das luas, o mistério se desfaz e o amor pode enfim ser doado. Acontece, porém, o dia, quente e iluminado, quando surge o entendimento da aparição inevitável, que mora no espaço e reluz. Neste momento é que a lua se faz desejada e o chamado é lançado. A clarividência transforma-se em ponto magnético, o outro lado, que está lá na afirmação do mar, profundo, secreto, impetuoso.
Encontrei as criaturas da água durante a noite; apaixonei-me pelo outro lado. Deste lugar vem tudo, e com tudo é que localizo a extensão alcançada por minhas veias, fazendo correr o fim do sol, o início da espera, a capacidade de te espreitar no reflexo do além, e a vontade de nadar até lá para aprender com a imensidão.
A fluidez do retorno acontece quando a noite cede, e as estrelas dão lugar aos contornos abstratos dos montes no horizonte. Ocupam diferentes estares os níveis sutis das montanhas, que se dissolvem quando adentram às nuvens. Aqui existe um tempo que ainda não é dia, mas já abandonou a clarividência da noite: é uma pausa que não tem nome, para que dialoguem os sábios dos céus em sua linguagem sublime. Para dentro e para cima (desde debaixo para fora), o imenso, a explosão gloriosa do espaço - onde, ali, você também existe. Aí reside uma verdade, as cores estão aí também; as palavras têm poder para curar.
O limite é o mar. Existe o outro lado, o sol virou, a lua já é outra novamente. O círculo flamejante que desvia a retidão do olhar enfim surge, como única palavra que é repetida e anuncia, por detrás da pedra, no fim do mar. Existe vida do outro lado.
Era como se o vento entrasse na casa com a força do mar bravio que me despertou essa manhã. A troca inevitável de instantes surpreende ainda quando olho a inundação translúcida.
(Esta série de reflexos do mar contrasta rapidamente com o calor nas peles coloridas transitando pelos cantos. Passam os olhos pelos sons transformados ao longo da noite. Passa a gente e para no dia para olhar. Começa a vivificar a onda desde o centro do movimento. O estômago do mundo; daí vem a força).
Em alguma parte enterrada faz morada o medo de aceitar este momento, sua beleza insondável e a passagem da realidade. A gente que para pra ver, encontra. E leva pra casa, deixa a onda vir, inunda tudo, nota as expressões lançadas à sincera manifestação das mãos que criam por fora o caminho mesclado de dentro. Surpreender com o pungente som parece claro, direto. Estou surpreendendo junto às sutilezas, sabendo que tudo participa do mesmo lugar, e estes caminhos se completam.
Fazer do mar casa é um movimento perigoso. Não há mais do que descaminhos nessa força que desemboca. O mar é casa em suas profundezas, quando não mais pesa a presença do abandono, só existe amplitude no âmago do mundo.
O bendizer do
Horizonte, encontro
das forças calmas,
Desagua perto
sobre os pés
Para anunciar
Que arrastará os corpos
para o fundo, onde
reside o rio
Sob a terra, a alma
do mundo, o buraco,
indundado;
Este lugar esconde
o amor, a desolação
e a entrega absoluta
ao movimento do tempo.
A maior extensão medida pelos sentidos, a fúria dos últimos três dias, filtrada pelo coração, traz ao dizer impossível, o inconcebível futuro. Passam todos os planos e meus esforços estão prontos para escapar aos pulmões em forma de grito mudo na direção de todo o vazio.
Eis a mensagem para a garrafinha lançada.
O coração e o mar fazem movimentos correlatos:
para dentro, uma profundeza inestimável.
para fora, uma força que ninguém alcança enquanto sabedoria.
Só vem o suspiro abstrato.
Trata-se de uma unidade imperiosa que acolhe e atrai tudo que ainda não participa nesta fúria.
Só os contém quem ama abertamente.
Só os que enfrentam as questões da alma.
O despertar tranquilo respirando todas as células acontece desde a água e aí desemboca quando o coração fica suspirando. As memórias ficam então abertas à construção para afirmar que existimos todos juntos. Cada onda que volta, já vem de outro lugar, transformada pela inteireza do porvir.
Ficam pegadas no úmido do chão. E outra vez existe o perigo no desejoso espírito.
O antigo com o novo num retrato que ainda não se pode ver. Está no filme enrolado dentro dos olhos, compreendendo os relatos do mar à toda profundidade. Agora só se pode dizer do movimento das estrelas e que, na falta de morada, há o mar para hospedar os movimentos que rebentam sem que os esperemos. Há a mãe da alma para cuidar da paciência necessária ao encarar a impressionante existência. Este aprendizado, de compreender a casa em movimento, abre um espaço no centro do corpo para que circule o ar. Demanda troca incessante, respirar com o meio desimpedido, aceitar a despedida. Compreender o retorno serve para cumprir um destino do coração. Não há como impedir o contínuo bater e o desaguar. É necessário receber o que vem do profundo mar. I dont have a choice, bu I still choose you.
Eu escolho recebê-lo feliz e grata, ciente da força arrebatadora, ciente da transformação irrevogável. Não existe reviver, só traço, seus desenhos do rosto que não formam imagem são feito sonhos, dando sinais ilegíveis, tornando realidade um caminho ao revés.
Alto, alto, alto estou só, sentindo esta linha invisível de extensão infinita. Não importa aonde estivermos pisando. Estou no ar e te sinto presença real, porque a lua fica, e o mar é a única realidade inquestionável.
A lua revoga a claridade para abrir o despenhadeiro da terra e o encontro com a sombra vislumbrada. A penumbra nebulosa convida para dentro o desenrolar deste destino.
O bendizer do
Horizonte, encontro
das forças calmas,
Desagua perto
sobre os pés
Para anunciar
Que arrastará os corpos
para o fundo, onde
reside o rio
Sob a terra, a alma
do mundo, o buraco,
indundado;
Este lugar esconde
o amor, a desolação
e a entrega absoluta
ao movimento do tempo.
A maior extensão medida pelos sentidos, a fúria dos últimos três dias, filtrada pelo coração, traz ao dizer impossível, o inconcebível futuro. Passam todos os planos e meus esforços estão prontos para escapar aos pulmões em forma de grito mudo na direção de todo o vazio.
Eis a mensagem para a garrafinha lançada.
O coração e o mar fazem movimentos correlatos:
para dentro, uma profundeza inestimável.
para fora, uma força que ninguém alcança enquanto sabedoria.
Só vem o suspiro abstrato.
Trata-se de uma unidade imperiosa que acolhe e atrai tudo que ainda não participa nesta fúria.
Só os contém quem ama abertamente.
Só os que enfrentam as questões da alma.
O despertar tranquilo respirando todas as células acontece desde a água e aí desemboca quando o coração fica suspirando. As memórias ficam então abertas à construção para afirmar que existimos todos juntos. Cada onda que volta, já vem de outro lugar, transformada pela inteireza do porvir.
Ficam pegadas no úmido do chão. E outra vez existe o perigo no desejoso espírito.
O antigo com o novo num retrato que ainda não se pode ver. Está no filme enrolado dentro dos olhos, compreendendo os relatos do mar à toda profundidade. Agora só se pode dizer do movimento das estrelas e que, na falta de morada, há o mar para hospedar os movimentos que rebentam sem que os esperemos. Há a mãe da alma para cuidar da paciência necessária ao encarar a impressionante existência. Este aprendizado, de compreender a casa em movimento, abre um espaço no centro do corpo para que circule o ar. Demanda troca incessante, respirar com o meio desimpedido, aceitar a despedida. Compreender o retorno serve para cumprir um destino do coração. Não há como impedir o contínuo bater e o desaguar. É necessário receber o que vem do profundo mar. I dont have a choice, bu I still choose you.
Eu escolho recebê-lo feliz e grata, ciente da força arrebatadora, ciente da transformação irrevogável. Não existe reviver, só traço, seus desenhos do rosto que não formam imagem são feito sonhos, dando sinais ilegíveis, tornando realidade um caminho ao revés.
Alto, alto, alto estou só, sentindo esta linha invisível de extensão infinita. Não importa aonde estivermos pisando. Estou no ar e te sinto presença real, porque a lua fica, e o mar é a única realidade inquestionável.
A lua revoga a claridade para abrir o despenhadeiro da terra e o encontro com a sombra vislumbrada. A penumbra nebulosa convida para dentro o desenrolar deste destino.
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apaixonar-se,
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escrita livre,
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mar,
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rio de janeiro,
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quinta-feira, 6 de novembro de 2014
luna llena
segurei essas mãos até que a caneta errou o papel e verteu em direção à boca, tamanha a fome de tinta azul e intoxicação por outra coisa que não a porta do elevador fechando, os espelhos sucumbindo a caretas tediosas no momento em que me encontram, as unhas delatando a derrocada falha ao processo dos pormenores, a mesma tinta da caneta arroxeando linhas de expressão, casca de árvore, fibrosas feito meu coração insistente em dar voz à vitalidade que me lembro quantas cartas de amor ainda estão por escrever, todas destinadas aos mesmos olhos e enviadas a desconhecidos na solidão de suas casas esperando até que morram de desgosto mastigados pelos próprios tecidos, dentre todas essas imagens que recortei a esmo na companhia de amigos inteligentes que revelam a realidade, pois me apegava às texturas da mesma maneira que faço nas noites à lembrança dessa loucura nas vísceras debaixo, encatatoneando o olhar para os seres de cima, todos os espelhos daquele encerramento como o mesmo infinito repaginado por si mesmo, e eu encontrando alimento num livro que deveria estar em outra língua passando por desejos súbitos de calma e contensão enquanto me doem os nervos da mão e os papeis caem e descubro formigas que não existem e sonho e desperto cheia de vontade de dançar com os gatos, explodir de felicidade e urgência, renomear cada uma das memórias, presentificar a saudade que sinto a daqui uns meses, quando se tornar insuportável consultar o passado nos oráculos e ver a permanência da confusão indecifrável para nenhum código possível esfaimada que fico no interior já ciente em incertezas disfarçadas por possibilidades que insistem em esmiuçar a coragem mas eu não deixo não porque preciso buscar o ar quando vem o tempo e a morte anunciada pela luz do farol no mar esverdeado pela respiração da terra e enternecido quando fecham os cílios dessa lembrança.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014
flores
Hay
desajustado espacio en mi corazón,
aumenta y diminuye con
el espacio del tiempo
si me quedo lejos de mi casa,
ese cuerpo solemne que a todas las cosas quiere contestar,
como al sol que se muestra para hacer claro
todo el camino desde que llegue a este suelo rico y capaz.
Estoy escapando de las palabras desconocidas
asi que me siguen todos los dias
y los trazos de rostros
en mis sueños más reales que todas las memorias combinadas a las ganas en las vísceras
de ver esta gente esta ciudad llena de amor
y estranhamento, porque no conozco las
palabras que ahora diseño
y aventurome por un territorio con aspecto de abrazos y palabras deformes.
La mixtura de colores por las arboles en la primavera son
el alimento de una descubierta
del vacio y del lleno
cuando me recuerdo que la realidad es mi vida
y que los encuentros se pasan para que no me olvides
donde estube
en los descaminos ensiñando
la fragilidad de mi casa aqui y ahora.
aumenta y diminuye con
el espacio del tiempo
si me quedo lejos de mi casa,
ese cuerpo solemne que a todas las cosas quiere contestar,
como al sol que se muestra para hacer claro
todo el camino desde que llegue a este suelo rico y capaz.
Estoy escapando de las palabras desconocidas
asi que me siguen todos los dias
y los trazos de rostros
en mis sueños más reales que todas las memorias combinadas a las ganas en las vísceras
de ver esta gente esta ciudad llena de amor
y estranhamento, porque no conozco las
palabras que ahora diseño
y aventurome por un territorio con aspecto de abrazos y palabras deformes.
La mixtura de colores por las arboles en la primavera son
el alimento de una descubierta
del vacio y del lleno
cuando me recuerdo que la realidad es mi vida
y que los encuentros se pasan para que no me olvides
donde estube
en los descaminos ensiñando
la fragilidad de mi casa aqui y ahora.
(quis proteger minhas memórias quando tranquilizei-me nas possibilidades das novas terras serem anêmicas e vazias. era improvável que às afecções não fechasse a garganta para uma ruga na testa e choro sem lágrimas. lugares por onde nunca se pisou são solos inesperados, embora de loucura antevista, com o presságio daquilo que vem desconhecido, e se supõe desmerecido, não iniciado. todo caminho que se pisa é solitário, só há certeza no solo revolto, que evolui a novos buracos, cada vez, atingindo uma instância de movimento, desde a vida, os fluxos por dentro, líquidos corporais e lençóis de terra, abundância de descontrole, parto amanhecido, desdobramento para outro tempo).
Me quede muy apasionada con mi partida. No puedo
mirar mis ridiculas palabras en castellano, pero me importa mirar a las calles
y ver como todo me recuerda el tiempo, mi casa sobre los pies, y que ya extraño
a esa rara lengua, la riqueza de sus personas, los edificios y marcas en sus
ruínas, como me siento tan vieja volviendo al caos de esa existencia unica, que
por mil motivos nos muestra encuentros, muchas gracias, y, por supuesto, tanto
tanto amor. Hay mucha felicidad donde esta su corazón. No te olvides las luces,
las calles, las plazas, el viento, los nombres que tienen las cosas, como
llaman los espacios, el color del sol, aquellos ojos, todo que probastes, las
sequencias, el cariño, los nuevos amigos, los pajaros que cantan siempre, cada
esquina, los confrontos, el extraño, su suerte, los libros, el suelo y el olor.
No te olvides de tu soledad cuando recordar todo lo que tocastes, pero también
no te olvides del movimiento inevitable, en su cuerpo, en todo afuera, porque
ahora tienes más trazos, más historia y más coraje.
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amor,
apaixonar-se,
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escrita livre,
espanhol,
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existência,
experiência,
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tempo,
transformação,
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sexta-feira, 11 de abril de 2014
nossa existência
[escritos destroçados com o tempo, abril de 2014]
quando a pele esfria por baixo dos caminhos ensolarados, necessita-se pausas dentre ruas, uma esquina que te encontra frente ao desespero enérgico gerado pelos sons dos raios, luzes mal acostumadas, pobres de gente, abandonadas desde a infância. os olhos semicerrados erguidos para o teto de toda fraqueza embebida, filtrando cores em branco-caído, poros desempedidos, boca sentido gosto de peças desencaixadas e a sinceridade emergindo nos rostos aos poucos avermelhando-se. o instante de carinho doado por existir este corpo de gente em traço no dia em que se escolhe o afeto, a luz transfigurada, mãos dadas com o vento.
[francis, há muito vejo o vento e é inteiro, todo entre-dedos, entre sorrisos e cada singelo ser no momento do sorrir me toca em cheio antes de dormir. e penso em ti, azul, vermelho sangue, amarelo olhar em corpo fundido invisível no querer sempre resposta e peso de dor. estou aqui. estou aqui vendo tanta lua por entre esses cabelos desalinhados, por passos desejosos de caminhos tantos e descaminhos mais que nos cruzam e não nos repartem, porque nossos fragmentos já se são. esse carinho nascido desde a vida nos constrói células braços e pernas socorrendo-se. meu coração dói e agradece.]
tanto descaminho desconstrói nosso abandono
nossa liberdade pertence a estas mãos
devo libertar esta figura de minha lembrança para permitir fluidez ao transformar ininterrupto. devo aceitar cada passagem de tempo aos longos dias fatídicos e permitir-me o esquecimento às tuas distantes palavras transparentes, felizes, silenciosas. devo dissolver o rosto nesta imagem concreta aqui há dois palmos gritando e negligenciando tua viva sensação.
e quando percebo tua iminente partida todo suspiro já é, memória; a loucura desta meia-vida sonhada, por jovem toque, fino aos dedos docemente empenhados a encontrar-te, semi-luz, horas poucas, instantes amedrontados. já passou por mim o distante rosto de voz e caminhar a passos pés livres e em verdade. deixou-me tranquilamente, confortável por esvaziar a presença, transformar escorre-tempo pela abertura deste rio que me atravessava. sentirei saudade quando lembrar-me que, ali, podia deitar a cabeça naquele peito desconhecido, para então recuperar o espírito viajante, víscera que não cessa de sufocar; ainda assim, não o fazia, tinha medo do meu corpo movendo-se para fora, receio de assustar arrepio, por afeto, querendo estar perto, mas longe ao momento da despedida, terminada nesta mesma pequena carta que você me entregava às pressas, não querendo-me olhar o rosto infeliz, tremendo de acontecimento, sem fé, para nunca mais observar carinhosamente tua consistência. assim o resto aparecia nesta parte fria, oca, mesmo quando gritava com os outros membros, e mesmo com tuas cautelosas manifestações de bem-querer. life goes on for all the daytrippers.
then, seatted with your eyes hurting, you hear this ancient song, coming through your left ear and pulling down the feeling of walking alone and loving the lost. when a scream rises, you hear a new instrument and a familiar voice. and that keeps on coming 'till you have no choice but to fell in love with the moment and pretend you can't see the hearts of ghosts.
espero verte pronto,
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
Fagulhas
Procuro nesta rua aquilo de apaixonar-se. Como uma ruína num precipício onde se sentam meninas mulatas ou qualquer coisa absurda semelhante à sabedoria centenária em seus fios de cabelo. Este instante de torpor e luz contidos em seu sumiço, em cada passo de lama para longe daquela vida, daqueles gritos e toques delicados. À medida que me distancio, mais me rendo ao traço deste teu nome e não aos olhos que dissecam detalhes da cidade, desesperados pelo encontro, sempre mais próximo e impossível. Rabisco no escuro para poupar qualquer luz à tua eventual passagem, a qualquer algo que respire como você, desse jeito forte de coisa viva, com vontade. Não posso deixar de te procurar para lembrar tua sensação. A palavra pela luz, o caminho pelo tempo, a passagem pela distância. Se não posso te tornar todas as coisas, agradeço a uma porta antiga ou árvore nua por terem atravessado, em mim, o âmago de teu cuidado. Este sopro estará comigo para que eu o encare, desde antes, a partir de sua incontrolável natureza.
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domingo, 6 de janeiro de 2013
Pés
Essa luz que me serve bem, torneando por trás de nuvens sombreadas, agride a escuridão destes traços. Pontos de luz balouçantes por sobre o ar, dentre troncos e verdências, em manifestação singela da destruição, das cinzas emotivas por cada mover. Não é assim que confesso essas sombras, não posso esquecer esses traços no céu acinzentado, de azul fosco inflamado luz reprimida, contida no pano que encobre. O desenho destes galhos relembra o retorno, de coração, o dolorido caminho dos pés, perto daquele outro que me sorri-resposta. A qualquer momento as nuvens que não posso ver, por sobre as estrelas, por trás da minha cabeça, o fogo azuleante negociará o calor.
Da forma que o fizer, não o faça, o buraco dos meus olhos segue o fim da luz por sobre o pano, por trás do ouvido, que não quero te dizer, por causa da minha dor, isso é dolorido, eu confesso a você.
Quero concretizar para o fim, com este instante, a dor nesta pele e não mais no céu, a permissão do calor, do rastro que o fogo toma por dentro dos seres quietos. Escolhe ser frio, azuleante em morte daquele que se deteriora nessas vozes familiares, cai pelas pedras e desmaia, nunca mais.
Os detalhes de cada entre, em sua singularidade explosiva, não cabem ao infinito olhar.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
A fita
O começo era a fita mesmo que antes houvesse gente. Desabrigada, sem teto sem casa feito passarinho azul pequeno fraco esfarelento, abandonado. Nada que houvesse nos armários servia para a verdade, não havia alimento para sinceridade exceto a carcaça triste de si mesmo, puro, indefeso. E os espectros habitavam a casa como macarrão velho na gaveta dos fósforos. O dia surgia numa casa livre de gente viva de vida entre os cabelos e o chão. Cada menino que encobria o desespero não ganhava para si as rédeas da máquina. Então um homem falava falou dentro do sol corrido falava como quem é pago, que ganha e esbanja não conta mente homem que dizia poder mostrar. E cada parte pertencia à outra feito filho inato surgido de seus ancestrais. A fita veio em sonho por debaixo dos olhos. E nela havia lembrança de fiapo de ar de coisa empoeirada. E nela havia algo de vida de veia com sangue e pulso e bombear. Enfim desperta, corri sobre o horizonte do frio em cada pedra montanha em lago e distância até desabar cair, joelho sobre terra. O rosto dela desenhado tantas e tantas tantas vezes, as pupilas pretas, a boca firme demais, orelhas no lugar errado. E o pai acusado dentro dela como dias proibidos, futuro que já se foi nunca virá. O amigo então veio e gritou com a surpresa daquele que chega. E as lágrimas dela rolaram por cima do amigo, dos braços pernas do dia da fome da cara, de toda parte. A mão colocou a fita, desenrolou, gravou os lamentos nos dedos que escorriam verdes, sofridos, e ela percebia em cada palavra o surgimento desenrolar da fita, concreta, aquela, a fita da Memória.
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Rapid eye movement
Assim como sabem as pontas dos dedos o tempo, estes cílios de tronco, alguma força elementar, tornam cada branco uma vez só o mover da cor, empoeirado e polido, feito pés batendo em silêncio, por debaixo das raízes. Não é de regalo, nem motivo de dentes, mas com sonho errante. As pegadas, uníssonas, em caminho seguido, sempre, daquele que não para, mas faz movimento do céu e completa solidão de montanha. Nele, habitam todas as coisas vivas, e o pudor de suas costas sabe cumprir osso, pele, fibra. O som vem contido em íris, risada enrugada, nariz trabalhando com queixo, e então o rosto a serviço do vento. A cadência é manifestação da gentileza pelas pernas de homem que não desiste em desaguar.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
O que é poesia
Trabalho de Teoria da Linguagem Poética, março de 2012.
O que entendo por poesia, no
campo da virtualidade, não está nas coisas de pegar, mas nas sutilezas
escondidas pelos fantasmas e seres invisíveis.
A poesia é uma lista de coisas elegantes – sinceras, eu diria –
presentes nos ruídos e mantras das criaturas desoladas. Trata-se do corpo como
coisa concreta e da existência imprecisa, mas firme, das folhas de papel, cujo
aroma é o mesmo da pele . A poesia é o movimento virtual do corpo.
Está
diretamente ligada à importância de existir. Compreende o lembrar, turvo e
eterno, dos olhos, dos lábios, do sexo e do nome, honrando, assim, o rosto
pintado. É precisamente de rostidade que falo aqui, sendo que “A palavra
signficando chuva deveria cair como chuva” (do filme O livro de Cabeceira).
Poesia
diz respeito ao excesso de sensibilidade quanto a despedidas, ao arrebatamento
absoluto até a destruição e principalmente ao tratamento igualitário entre
humano e página. Poeta é o ser que deixa-se mover pela tinta que circula por
dentro e enlouquece de amor para o desespero do limite em palavras. Os poetas
comem tinta como beijam a pele de seus papéis e desaparecem no ritual da
efemeridade.
O
mundo tem mania de esquecer-se da eficiência de um pincel e da importância de
utilizá-lo no rosto. Poesia é lutar pela respiração dos poros, somente para,
então, entupi-los com cor e toque. É quando o som do grito vem pelo silêncio e
a figura pela deformação. A poesia ilumina os nervos, as perdições e a verdade
nas coisas. É inútil, já que resiste à hostilidade. A virtualidade é durável e
está no vento, ao contrário do que é de pegar.
O
poetas estão, desta forma, condenados à vida e às explosões taciturnas de
solidão. Posso soar romântica, mas falo apenas dos caramujos em buraco de muro,
dos moleques descabelados que ocupam-se do caos e das árvores vadias que
inspiram sem querer. Assim, falo apenas do mundo inteiro, sossegado e tímido em
devir.
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terça-feira, 10 de julho de 2012
Sem chama
A urgência de irromper em palavra desmedida, afeto descabelado, desrazão umbilical, é que move o resto do corpo para ser vida. Minha sinceridade é a sua, por silêncio incapaz de conter cor em desespero. Todo toque é por sua intenção, em sonho-verdade, ver que só por ti. Só luz porque sei de seus dedos. Só sensação porque orvalho em você. Só dia quando você caminha. E papel meu é que enxuga vontade em ternura. Cuida dos lampejos seus que ainda não rio, mas espero em ser aflito.
terça-feira, 12 de junho de 2012
One way... or another
Era por silêncio que os dedos moviam-se em pontas de existir, qual esperança na vida tua. Que é difícil palavrear vontade, explosão dos órgãos de respirar em sufoco irremediável, mas em afago, movido por cada grão de areia. De sopro do tempo, cada fio de fractal, pedacinhos de um você esquecidos nos esconderijos dos caramujos, nas partes íntimas das águas, no sangue dos bichos. A falta que me é nociva em pele cura quando dissolve dor pela presença de todas as outras partes. Não é a toa que o ar para todos os lados carrega suas gentes e coisas verdes; é tudo você me querendo pra perto dizer que vive por dentro, no vento, me encostando de caminhar, quando acordo no dormir do sol. É do escuro embranquecer as velas que queimam devagar, de luz se espremendo por entre folhas de árvore, como se o céu não fosse capaz de conter-se em entusiasmo por surpreender fins de tarde aconchegantes. É quando olho pega flor sem querer, de cima, em segredo.
sábado, 2 de junho de 2012
Lei
parceria com Danna Lua
Medusa Macarena tinha tristeza nas entranhas, que seus cabelos estranhos lhe roubavam os beijinhos dos pretendentes.
Dioniso do Joelho Torto era, de tão manco, amoroso.
Num dia encontraram-se eles no bosque do mal-querer, e os
cabelos macarenhos erraram ao moço, que do joelho caiu mais para a esquerda.
A Medusa, alegre do feio acontecido, abriu os olhos de
êxtase.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Espinho
Talvez as olheiras vazias de olhos e cabeças baixas de pesar pertencessem a ela, que o amor daqueles caminha por dentro, torto de doença, de culpa latente. O mundo funciona nos órgãos, os dedos é que esfregam o rosto quando garganta presa em falta de corpo pede tinta. Carinho feito prisma surge na distância das costas brancas, risada dos cílios do sol. A lacuna contorce o rosto dela pra dor invisível. Depois, percebe que é de papel cegar, emudecer por mordida, cambalear em queda quando deitado. É hora de comer tinta, de apagar os olhos em som, só de certeza. Que o ar é alimento.
Ela se levanta, então, por pés gelados. Cada músculo de toque era compasso de força, era arranhão pra ossos. O movimento era da compreensão do tempo, de criatura singela em manifesto. Feito parto, de machucado, de torção; feito vida arrancada. De desmanche, cai-se embrisa, de arrepio em volve. Escuro só existe por exaustão de luz. Sombra-casa quando a queda das pálpebras é sorrateira em lágrimas quentes. O sonho é voz, mas a voz dela é mentira. De voz que não sai canto, sai morte. Corpo desmontado é abismo sem tábuas.
Sem mexer, viu-se: respirar em feita ser. Adormeceu sem a certeza do acordar, mas dela despertar. Foi assim que do passado fez-se espinho e do espinho fez-se enluz.
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