o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Entre estados

How can we forget our own arms and legs as
Filters of the little manifesting its hidden power

(No olvidarse del complexo en las lineas de manos tortas)

Mesmo sob os respiros entrecortados pelo espasmar
Dos aerolitos embaixo d’água;
Acima resiste o estelar compasso,
Fluidas supernovas incisivas
Corrompendo as previsões,
As mentiras sufocantes,
Os dias torpes de lentidão promíscua.
Meu teto querendo corroer o chão
- E eu viva -
Prostrada ao corpo amarrado sobrecaminho
Renunciando às batidas na porta
Que gritam as vociferadas palavras
Pertencentes aos pobres.
Eu sou a recusa do nome que me chamam
De fora, pelo pulso magnético errático
Incessante do que me existe,
E a vida reduzida ao tempo infame
Querendo-me engolir os ossos.
Sonho para resistir à apatia congelada
Da verdade que ignora os sentidos,
Quando o inconsciente desperta pelos
Tendões a Grande Corrida: são as horas
A fins de explotar o espaço
Donde reinam meus dedos
E surge minha fome do estômago-que-absorve.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

seca pt 1


equinócio de primavera: súplicas

[sabia que havia esperando ao longo de toda esta vida durante as delongas dos mesmos tempos infinitos que ressoaram baixo à medida que me lembrava
os espaçados sons reverberavam para todos os instantes até aqui, a oportunidade irremediável para onde desaguam todas as escolhas desde o anterior nascimento, que já então vislumbravam essas palavras, desatolando-me às tantas experiências de quando pude antever a terra já acontecida, os acidentes sempre já soando ao limite pelo movimento ininterrupto dessas mesmas palavras já antes muito muito antes para sempre reescritas e rearranjadas novas outras, por mim, frente à extensão do som
que à gaguejante potência não se faça só ode pelo pensamento da linguagem que se constrói sabedoria, mas ao descontrole pela compreensão, o traço pelo traço, os movimentos estendidos dos dedos sobre a pele os olhos frente aos quais o sentido falha em acessar este segredo de abismo, mas ao qual se percebe diante do compartilhar, já que não posso existir isenta ao grito que urra desde o primeiro alambique, pelos olhos
o furioso desaguar desimpedido horrorizado pelo instante submerso às entranhas atravessando-se para expulsar o acúmulo do aumento pela desintegração que não cabe ao que solidifica inteiro desvio de propósito à totalidade
estas palavras esvaziando-se para que nunca morram, desde o toque apaixonado pela descoberta
desde o vislumbre pela destruição da necessidade à verossimilhança enrugada, um sopro de ar ou silêncio por entre os acordes, uma direção aberta, tantas mãos, e o que se faz, pelo que se é
frente ao incomensurável desdobrar desta envergadura, no solo, nos entres, entranhas aparecidas pelo contemplativo agradecer, renascido pelos segundos triturados em distensão
desde todas as medidas desmentidas pela verdade escorrendo veredas
porque sim].

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O que é poesia


Trabalho de Teoria da Linguagem Poética, março de 2012.


O que entendo por poesia, no campo da virtualidade, não está nas coisas de pegar, mas nas sutilezas escondidas pelos fantasmas e seres invisíveis.  A poesia é uma lista de coisas elegantes – sinceras, eu diria – presentes nos ruídos e mantras das criaturas desoladas. Trata-se do corpo como coisa concreta e da existência imprecisa, mas firme, das folhas de papel, cujo aroma é o mesmo da pele . A poesia é o movimento virtual do corpo.
Está diretamente ligada à importância de existir. Compreende o lembrar, turvo e eterno, dos olhos, dos lábios, do sexo e do nome, honrando, assim, o rosto pintado. É precisamente de rostidade que falo aqui, sendo que “A palavra signficando chuva deveria cair como chuva” (do filme O livro de Cabeceira).
Poesia diz respeito ao excesso de sensibilidade quanto a despedidas, ao arrebatamento absoluto até a destruição e principalmente ao tratamento igualitário entre humano e página. Poeta é o ser que deixa-se mover pela tinta que circula por dentro e enlouquece de amor para o desespero do limite em palavras. Os poetas comem tinta como beijam a pele de seus papéis e desaparecem no ritual da efemeridade.
O mundo tem mania de esquecer-se da eficiência de um pincel e da importância de utilizá-lo no rosto. Poesia é lutar pela respiração dos poros, somente para, então, entupi-los com cor e toque. É quando o som do grito vem pelo silêncio e a figura pela deformação. A poesia ilumina os nervos, as perdições e a verdade nas coisas. É inútil, já que resiste à hostilidade. A virtualidade é durável e está no vento, ao contrário do que é de pegar.
O poetas estão, desta forma, condenados à vida e às explosões taciturnas de solidão. Posso soar romântica, mas falo apenas dos caramujos em buraco de muro, dos moleques descabelados que ocupam-se do caos e das árvores vadias que inspiram sem querer. Assim, falo apenas do mundo inteiro, sossegado e tímido em devir.