o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Dreambook

Era amplo e claro. Havia, ao redor, em estado de guarda do espaço, uma natureza firme, alta, caminhando em direção aos céus e cerceando o berço subterrâneo, pelos arredores contínuo. Nas proximidades da percepção, fundo fora, um pouco para as bordas do coração, erguia-se uma estrutura limpa, elementar, com madeiras simples e rígidas - uma casa aberta. Um terraço preenchido e vazado subsubia às nuvens. O azuléu amoroso convidava à luz para a sacada. Andando em direção a ela, eu seguida de mim que me observo, dou-me a sentir que estava em família, porque a convoquei e ela comigo, onde, na beira, abaixo havia água. As bases da estrutura repousavam sobre um verde camuflado por detrás da lente. Mas, aos olhos enraiarados, no vislumbre do recostar-se à frente, estávamos dentro de casa, acercando-nos, por meus dedos plenos, do mar, do rio embaixo do rio, os nossos vínculos profundos.


Ergueu-se, por sobre ramagens desconhecidas, o interior de um edifício vertical, vertido para cima. Dentro era estreito, uma composição de cômodos pontuais, cada qual à sua maneira acolhedor, e de escadas construídas à maneira de possibilitar passagens interseccionadas. Nós nos reuníamos quando retornávamos à casa para compartilhar o descanso. Não havia como dizer de onde morávamos, porque isso não importava. À noite vínhamos curar-nos, estar presentes como entrega a estes conhecimentos nossos. Tetos e intervenções suportavam os múltiplos espasmos, a inquietação do expansivo em nós. Dizíamos livres, porque queríamos responder ao outro inteiro. Nosso espaço nos devenia. Era dentro de nós, um e os outros comigo, vozes vivenciadas como as vivencia o universo, e ali era todo o mundo, até que acabasse. 


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