o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O rio


marte, coração, pulso

Os milímetros percorridos em desenrolar-se de revoltas e retornos estendem-se até o eco de um canto, as depenagens solares, as peles que respiramos, e os gestos que percebemos à medida que existem, já os transformando. A distância daquele rio necessário faz-se junto à atenção focal do rosto e do centro cardíaco. A movida pelo incessante giro planetário exige que se esteja no rio à medida em que se é o rio - aquele que contém o fluxo como princípio. O descarrego de palavras desfaz-se ao contrário, já ato, já feito-fluxo, devir realizado. O momento em que se para de escrever é aquele em que torna-se única solução nunca parar, seguir infinitamente para que se possa dizê-lo. Simultânea é a estadia; você se hospeda no rio por toda a extensão quando está nele como parte, que compreende o mistério no desaparecimento das paredes, do espaço entre as pernas. Nossas moléculas já estão juntas, pois são o espelho e a imagem refletida, responsabilizando-se por aceitar as dimensões do gesto, a doação do nome transtornado pela infinitude contida no contínuo: a morada do coração, a recuperação dos detalhes. A dança circular dos grandes corpos fragmenta-se em partes singulares tocando-se: quando nos damos as mãos para que nossos dedos possam abraçar a proximidade. Percebo as atividades das águas também porque o rio me permite vivê-las. Eu sou o rio. 

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