o movimento do entre pelo tempo e pelo espaço, onde cada palavra é figura esburacada, e o rosto de ninguém expande ao infinito.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

have you passed through this night?

deste estranhamento, com o ato e com o tempo, deparo-me espiando as sombras dos que caminham, lá embaixo, e a mudança do sol em suas aparições, quando mesmo uma janela aberta e o vento que assopra no quente do café abraçam a esta passagem, e nada mais. retorno, então, à sala de luzes brancas, onde me obrigo em incômoda utilidade, alimentando-me por pequenas porções explosivas, desde aquela pausa, o rápido movimento desta impermanência, ali onde posso recorrer de todo questionamento, e silenciar às respostas. empodero-me nestas vivências simultaneadas pelo contorno do que nos adentra, e permanece, rompendo, a retina, o suspiro deste ainda-não-acontecido, na observação da janela do tempo. suspeito deste inevitável escândalo, e digo-me a mim, evitando as palavras: desaproprie-se para a terra que te cerca, é possível transfigurar-se em tremeluz água, prestes a ser bebida, no detalhe, então, agonizante, para aceitar o frio suor de suas mãos. as memórias sobre-vivem ao abandono quando dele se alimentam. em esquecimento, encaro a parede esburacada que explicita todo instante, insuportável banalidade, para então sufocar-me da respiração que acompanha. por cima, revejo pelo reflexo o errante voar dos pássaros, a instabilidade das nuvens por sobre a atmosfera deste lugar, que gira, comigo, o meu envelhecimento. no retorcido da janela em frente, vislumbro o absurdo, este, desde que já não me sou. 

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